Comentários recebidos nos poemas por Ricardo Maria Louro



Há uma tarde
Oswaldo Jesus Motta disse:

Silêncio que canta, alma que busca...Belas palavras, Poeta! Abraço poético.

24 de fevereiro de 2026 16:40

Não te sintas tão sozinho
José Francisco de Morais disse:

Este poema apresenta um tom afetuoso, esperançoso e reconfortante, centrado na força do amor como companhia e superação da solidão.

Logo na primeira estrofe, o eu poético assume uma postura protetora e carinhosa: “Não te sintas tão sozinho / Porque eu estou aqui”. Há uma promessa de presença constante, quase como um amparo emocional. O carinho surge como base da relação, estabelecendo desde o início um ambiente de ternura.

Na segunda estrofe, a descrição dos olhos — “cor das mágoas / dos silêncios do Senhor” — introduz uma dimensão mais profunda e espiritual. A imagem de “dois peixes, duas águas” é particularmente rica em simbolismo: pode sugerir fluidez, sensibilidade, profundidade emocional e até uma ligação ao signo de Peixes, tradicionalmente associado à empatia e à emoção. O amor “baila”, isto é, move-se com leveza e harmonia, apesar da melancolia implícita.

A terceira estrofe introduz tensão: “Entre esperança e tempestade”. O amor não é idealizado como algo sem conflitos; pelo contrário, reconhece-se que há momentos difíceis (“momentos de saudade”). No entanto, surge a aprendizagem — “Há que aprender a dar a mão” — revelando maturidade e crescimento dentro da relação.

Por fim, a última estrofe reforça a ideia de companheirismo duradouro. A vida passa, o tempo é inevitável, mas o casal caminha “abraçados à luz da Lua”, símbolo romântico e íntimo. A imagem final — “De mãos dadas pela rua” — traduz simplicidade, união e partilha quotidiana.

Em síntese, trata-se de um poema sobre amor cúmplice e resiliente, onde a presença do outro transforma a solidão em caminhada partilhada. A linguagem é simples, mas carregada de simbolismo afetivo, privilegiando imagens ligadas à água, à luz e ao movimento, que reforçam a ideia de continuidade e harmonia.

24 de fevereiro de 2026 08:29

Há uma tarde
José Francisco de Morais disse:

Este poema constrói uma atmosfera profundamente introspectiva e melancólica, marcada por uma sensação de clausura interior. Logo no primeiro verso — “Há uma tarde fechada por dentro” — a tarde deixa de ser apenas um momento do dia e transforma-se num estado de alma, simbolizando recolhimento, cansaço emocional e solidão.

A expressão “caiada de sonhos e cansaços” sugere uma tentativa de revestir ou ocultar sentimentos, como se os sonhos e o desgaste fossem camadas que cobrem o sujeito poético. Há aqui uma dualidade entre esperança (sonhos) e exaustão (cansaços), revelando conflito interior.

O verso “Um quase silêncio vestido de Fado” reforça a identidade cultural portuguesa e evoca a saudade, a dor contida e o destino. O “quase silêncio” indica algo que não chega a ser dito plenamente, mas que se sente intensamente — tal como o próprio fado, que ultrapassa palavras e toca o íntimo de quem o canta e de quem o escuta.

Ao longo do poema, repete-se a estrutura “Um quase…”, o que transmite uma ideia de incompletude, de algo que está sempre prestes a acontecer mas nunca se concretiza totalmente. Essa repetição reforça a sensação de busca e de indefinição existencial.

A imagem do “suspiro de marujo num barco / em alto mar” introduz o mar como símbolo tradicional de viagem, incerteza e destino. O sujeito parece à deriva, levado pelas “ondas indiscretas”, o que pode representar forças externas ou emoções que escapam ao controlo.

Por fim, a vontade de ir “p’ra lá da vida, p’ra lá da morte” intensifica o tom existencial do poema. Não se trata necessariamente de desejo de fim, mas antes de uma procura transcendental, de algo que ultrapasse os limites da condição humana.

O poema encerra retomando o primeiro verso, criando um efeito circular que reforça a ideia de aprisionamento interior. Assim, trata-se de um texto marcado pela saudade, solidão, incompletude e busca de sentido, com forte carga simbólica e emocional.

24 de fevereiro de 2026 08:26

É Inútil
LEIDE FREITAS disse:

Concordo plenamente. Boa Noite, poeta Ricardo Louro

19 de fevereiro de 2026 22:48

É Inútil
Noétrico disse:

Óbvios que precisam ser ditos.
Tudo, absolutamente tudo
é inútil.

As pessoas individualmente ou em coletivo é que tornam tudo \"útil\".

19 de fevereiro de 2026 11:01

É Inútil
Maria dorta disse:

Mas,não é inútil viver nossos sonhos e desejos,nem deixar de arquitetar nossas vidas e viver feliz em plenitude amorosa. Uma pausa para o desengano,para o temor de amar e não ser amado e vamos optar pelo otimismo. Nos temos o poder de mudar ou provocar mudanças. Seu poema tem qualidades.

18 de fevereiro de 2026 12:30

É Inútil
Shmuel disse:

Perfeito!

Inútil ? passar a vida sem a poesia.

Abraços

18 de fevereiro de 2026 08:46

Eu sou o último de mim mesmo
Vilma Oliveira disse:

Olá poeta! Desejo que sua tarde seja produtiva e renovadora.
Um poema triste, porém desafiador e profundo, parabéns!
Meu abraço poético.

17 de fevereiro de 2026 15:25

Queria Morrer Amanhã
Vilma Oliveira disse:

Olá Ricardo! Boa noite! Na verdade, nós morremos um pouco Todos os dias.
O importante é se manter vivo e esperar que o amanhã seja melhor do que hoje.
Tudo nesta vida passa, nada é definitivo. Todos temos uma missão neste mundo.
Enquanto acordamos todos os dias é porque ainda nos resta algo a ser realizado.
Fica com Deus! Meu abraço fraterno.

15 de fevereiro de 2026 20:40

O Sangue Apodrecido
Vilma Oliveira disse:

Olá poeta! Versos fortes que expressam algum momento triste que passou
mesmo porque Tudo passa... Tenha uma noite abençoada. Meu abraço fraterno.

14 de fevereiro de 2026 22:08

O Sangue Apodrecido
José Francisco de Morais disse:

É um poema marcado por um tom profundamente existencial e sombrio. A voz poética apresenta-se como alguém esvaziado, ferido e desencantado, usando imagens corporais (“sangue”, “veias”, “dedos”) para traduzir uma dor interior e espiritual. A sensação de inutilidade e rejeição (“o erro de um ditado”, “um verso… rejeitado”) reforça a ideia de perda de sentido e identidade. Ainda assim, o verso “Mas outros dias virão...” introduz uma frágil centelha de esperança, sugerindo que, mesmo no desespero, permanece a possibilidade de renovação.

13 de fevereiro de 2026 20:55

Poema Triste
José Francisco de Morais disse:

Este poema constrói-se a partir de um jogo muito interessante entre contraste e delicadeza. Na primeira parte, predominam imagens ligadas à tristeza e à interioridade: “música triste, distante”, “quase silêncio”, “angústia fria e vaga”. O uso repetido de “quase” transmite uma sensação de suspensão — como se o eu poético estivesse num limiar emocional, entre o sentir e o não sentir, entre o sonho e a realidade. Há uma atmosfera de melancolia suave, mais contemplativa do que desesperada.

Na segunda parte, surge uma mudança de tom. A “voz doce, presente” contrapõe-se à distância inicial. Ainda existe contenção (“quase alegria”), mas agora a emoção é mais luminosa. As imagens tornam-se mais quentes e dinâmicas — “gestos quentes”, “vento de asas” — sugerindo renascimento, abertura e possibilidade. O poema termina com uma metáfora muito bonita: “um poema que acaba de nascer”, como se o próprio texto fosse fruto dessa transformação interior.

No conjunto, trata-se de um poema sensível e intimista, que explora a transição da tristeza para uma esperança subtil, mostrando que mesmo na angústia pode germinar algo novo e belo.

12 de fevereiro de 2026 14:27

Não deixes Mãe que me fechem os olhos
Vilma Oliveira disse:

Olá poeta! Gostei imensamente do seu poema, muito delicado e belo.
Parabéns! Tenha uma noite de descanso. Meu abraço poético.

11 de fevereiro de 2026 21:06

Nós Lábios e nos Dedos
José Francisco de Morais disse:

O poema exprime uma forte identificação do eu-lírico com a própria poesia, apresentada não apenas como forma de expressão, mas como essência da sua existência. A “palavra poesia” suspensa nos lábios simboliza uma necessidade constante de criação, enquanto os “versos por escrever” sugerem um potencial infinito e inquieto.

Há também uma dimensão emocional intensa: a poesia nasce da dor, da ilusão e de um percurso difícil (“sulcos no caminho, à beira de um abismo”). O sujeito poético vive num ciclo de destruição e renascimento, mostrando a criação artística como processo contínuo de transformação interior.

No conjunto, o poema transmite a ideia de que ser poeta é viver entre sensibilidade, sofrimento e permanente recriação — existir através dos versos, mesmo daqueles que ainda não foram escritos.

10 de fevereiro de 2026 14:41

Para ti meu Amor
José Francisco de Morais disse:

Este poema é uma declaração de amor simples, directa e profundamente sentida. O eu-lírico oferece à pessoa amada tudo o que existe no seu mundo — palavras, sonhos, flores, lágrimas e versos — mostrando um amor total, sem reservas nem limites.

A repetição de “Para ti, meu amor” reforça a intensidade do sentimento e cria um tom quase de promessa, como se cada estrofe fosse uma entrega renovada. A natureza (flores, nuvens, mar) surge como metáfora da grandeza e da beleza desse amor, enquanto as lágrimas e os desejos revelam a dimensão humana e emotiva.

No final, a ideia central torna-se clara: a vida só tem sentido na presença da pessoa amada. O poema transmite ternura, dedicação absoluta e uma visão do amor como centro e razão de tudo.

8 de fevereiro de 2026 13:35

Não deixes Mãe que me fechem os olhos
José Francisco de Morais disse:

Este poema fala sobre consciência, vida e morte, e parece ser um pedido íntimo — quase um sussurro — dirigido à mãe.

“Por trás de cada espelho há um olhar / Por trás de cada corpo há uma Alma”
O poema começa lembrando que a realidade visível não é tudo. Há sempre algo mais profundo: identidade, essência, espírito, sonho.

O pedido à mãe
Quando o eu-lírico fala da morte e pede para não lhe fecharem os olhos nem cruzarem as mãos, ele rejeita a imagem tradicional do morto passivo. Quer manter dignidade, consciência e liberdade, mesmo simbolicamente.

“Não pode a vida negar-se a quem a viveu — obscura — dia após dia”
Há aqui uma afirmação de resistência: mesmo que a vida tenha sido dura, foi vivida plenamente, e isso dá sentido à existência.

“Quero ir de olhos abertos… com as mãos livres para os versos”
Muito bonito: olhos abertos = lucidez até ao fim.
Mãos livres = liberdade, criação, poesia, identidade própria.

Final
“Eu sei que hei-de morrer como quem vive” — morrer com a mesma intensidade com que viveu.
O último pedido à mãe reforça amor, medo humano e desejo de permanecer desperto até ao último instante.

8 de fevereiro de 2026 13:25

Deixem os Poetas
José Francisco de Morais disse:

Há aqui um cansaço do mundo muito físico (“a carne está gasta”), quase existencial, mas em contraste com uma ideia de eternidade que não é divina nem política: é poética. Quando dizes “Deixem os poetas ao vento”, não é abandono — é libertação. O vento como espaço sem muros, sem censura, sem utilidade imediata.

8 de fevereiro de 2026 12:06

Deixem os Poetas
Arthur Santos disse:

A esperança não é a ultima a morrer... a esperança é imortal!
Belo poema. Abraço.

8 de fevereiro de 2026 10:04

Adeus Abruptamente
Shmuel disse:

. .\"Alheio a mim estão todos os sonhos\"...

Um lindo poema

Abraços

6 de fevereiro de 2026 09:55

Madrugada sem teus braços
Módena disse:

os dois primeiros versos estão incríveis

27 de janeiro de 2026 15:29

Há em Mim
Viviane.93 disse:

Esse poema parece um desabafo bem quietinho, como quando a gente fala de si com alguém de confiança. Mostra tudo aquilo que a pessoa carrega por dentro: vontades que nunca viveu, medos que não sabe explicar, sentimentos que ficam guardados. É simples, bonito e passa uma sensação de introspecção e delicadeza.

24 de janeiro de 2026 11:28

O que a Morte pode tocar
Noétrico disse:

Amar é aceitar a perda inevitável.

22 de janeiro de 2026 12:09

Eu sou o último de mim mesmo
Arthur Santos disse:

Uma construção poética muito inteligente.

27 de dezembro de 2025 09:19