Trago suspensa nos lábios
a palavra poesia,
trago, na ponta dos dedos,
todos os versos por escrever,
nos olhos, trago estrofes,
métricas, rimas e tercetos ...
Tantas quadras d'ilusão
que na forma nunca rimam
mas que enquadram um sentir
vasto e profundo,
cheio de sucalcos no caminho,
à beira de um abismo!
Existo p'ra sofrer em minha
própria dor,
destruo-me e renasço
a cada instante, para em seguida,
voltar a morrer e depois a renascer!
Sou assim em cada verso!
Porque trago suspensa, nos lábios,
a palavra poesia e na ponta dos dedos
todos os versos por escrever ...
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Autor:
Ricardo Maria Louro / Káká Louro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de fevereiro de 2026 05:40
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 6
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Offline)
Comentários1
O poema exprime uma forte identificação do eu-lírico com a própria poesia, apresentada não apenas como forma de expressão, mas como essência da sua existência. A “palavra poesia” suspensa nos lábios simboliza uma necessidade constante de criação, enquanto os “versos por escrever” sugerem um potencial infinito e inquieto.
Há também uma dimensão emocional intensa: a poesia nasce da dor, da ilusão e de um percurso difícil (“sulcos no caminho, à beira de um abismo”). O sujeito poético vive num ciclo de destruição e renascimento, mostrando a criação artística como processo contínuo de transformação interior.
No conjunto, o poema transmite a ideia de que ser poeta é viver entre sensibilidade, sofrimento e permanente recriação — existir através dos versos, mesmo daqueles que ainda não foram escritos.
Obrigado por esta análise tão inteira e profunda. Tão verdadeira ...
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