Por trás de cada espelho há um olhar
Por trás de cada corpo há uma Alma
Por trás de cada ilusão há um sonho.
Olha Mãe, quando a morte vier e
virá cedo,
não deixes fecharem-me os olhos
nem porem-me as mãos em cruz
sobre o peito.
Não pode a vida negar-se a quem a
Viveu - obscura - dia-após-dia ...
Quero ir de olhos abertos para a terra
com as mãos livres para os versos ...
Eu sei que hei-de morrer como quem vive!
Não deixes Mãe que me fechem os olhos!
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Autor:
Ricardo Maria Louro / Káká Louro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de fevereiro de 2026 10:35
- Categoria: Triste
- Visualizações: 25
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Comentários2
Este poema fala sobre consciência, vida e morte, e parece ser um pedido íntimo — quase um sussurro — dirigido à mãe.
“Por trás de cada espelho há um olhar / Por trás de cada corpo há uma Alma”
O poema começa lembrando que a realidade visível não é tudo. Há sempre algo mais profundo: identidade, essência, espírito, sonho.
O pedido à mãe
Quando o eu-lírico fala da morte e pede para não lhe fecharem os olhos nem cruzarem as mãos, ele rejeita a imagem tradicional do morto passivo. Quer manter dignidade, consciência e liberdade, mesmo simbolicamente.
“Não pode a vida negar-se a quem a viveu — obscura — dia após dia”
Há aqui uma afirmação de resistência: mesmo que a vida tenha sido dura, foi vivida plenamente, e isso dá sentido à existência.
“Quero ir de olhos abertos… com as mãos livres para os versos”
Muito bonito: olhos abertos = lucidez até ao fim.
Mãos livres = liberdade, criação, poesia, identidade própria.
Final
“Eu sei que hei-de morrer como quem vive” — morrer com a mesma intensidade com que viveu.
O último pedido à mãe reforça amor, medo humano e desejo de permanecer desperto até ao último instante.
Obrigado caríssimo José de Moralles pela análise tão verdadeira e intimista destes versos. Conseguiu captar o indizível destes versos.
Grato
Olá poeta! Gostei imensamente do seu poema, muito delicado e belo.
Parabéns! Tenha uma noite de descanso. Meu abraço poético.
Grato minha amiga.
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