O Sangue Apodrecido

Ricardo Maria Louro

O Sangue apodrecido nas

minhas veias

não me deixa cantar a Alma!

 

Trago fome nos meus dedos.

 

O vazio que me veste o corpo

não me deixa amar a vida!

 

Mas outros dias virão...

 

Eu sou um moribundo!

Calçado de amarguras,

despido de ilusões.

 

Sou o batente de uma casa,

a baldraga de uma porta,

o erro de um ditado,

um verso por ser verso

que é tonto e rejeitado ...

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Comentários2

  • José Francisco de Morais

    É um poema marcado por um tom profundamente existencial e sombrio. A voz poética apresenta-se como alguém esvaziado, ferido e desencantado, usando imagens corporais (“sangue”, “veias”, “dedos”) para traduzir uma dor interior e espiritual. A sensação de inutilidade e rejeição (“o erro de um ditado”, “um verso… rejeitado”) reforça a ideia de perda de sentido e identidade. Ainda assim, o verso “Mas outros dias virão...” introduz uma frágil centelha de esperança, sugerindo que, mesmo no desespero, permanece a possibilidade de renovação.

    • Ricardo Maria Louro

      Obrigado caro amigo e poeta. Palavras lindas. Una análise brilhante.

    • Vilma Oliveira

      Olá poeta! Versos fortes que expressam algum momento triste que passou
      mesmo porque Tudo passa... Tenha uma noite abençoada. Meu abraço fraterno.



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