Não te sintas tão sozinho

Ricardo Maria Louro



Não te sintas tão sozinho

Porque eu estou aqui

E tenho tanto carinho

Desde o dia em que te vi.

 


Teus olhos cor das mágoas

Dos silêncios do Senhor

São dois peixes, duas águas

Por onde baila o meu amor.

 


Entre esperança e tempestade

Baila a nossa união

Em momentos de saudade

Há que aprender a dar a mão.

 

Porque a vida vai passando!

E abraçados à luz da Lua

Assim vamos caminhando

De mãos dadas pela rua.

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Comentários1

  • José Francisco de Morais

    Este poema apresenta um tom afetuoso, esperançoso e reconfortante, centrado na força do amor como companhia e superação da solidão.

    Logo na primeira estrofe, o eu poético assume uma postura protetora e carinhosa: “Não te sintas tão sozinho / Porque eu estou aqui”. Há uma promessa de presença constante, quase como um amparo emocional. O carinho surge como base da relação, estabelecendo desde o início um ambiente de ternura.

    Na segunda estrofe, a descrição dos olhos — “cor das mágoas / dos silêncios do Senhor” — introduz uma dimensão mais profunda e espiritual. A imagem de “dois peixes, duas águas” é particularmente rica em simbolismo: pode sugerir fluidez, sensibilidade, profundidade emocional e até uma ligação ao signo de Peixes, tradicionalmente associado à empatia e à emoção. O amor “baila”, isto é, move-se com leveza e harmonia, apesar da melancolia implícita.

    A terceira estrofe introduz tensão: “Entre esperança e tempestade”. O amor não é idealizado como algo sem conflitos; pelo contrário, reconhece-se que há momentos difíceis (“momentos de saudade”). No entanto, surge a aprendizagem — “Há que aprender a dar a mão” — revelando maturidade e crescimento dentro da relação.

    Por fim, a última estrofe reforça a ideia de companheirismo duradouro. A vida passa, o tempo é inevitável, mas o casal caminha “abraçados à luz da Lua”, símbolo romântico e íntimo. A imagem final — “De mãos dadas pela rua” — traduz simplicidade, união e partilha quotidiana.

    Em síntese, trata-se de um poema sobre amor cúmplice e resiliente, onde a presença do outro transforma a solidão em caminhada partilhada. A linguagem é simples, mas carregada de simbolismo afetivo, privilegiando imagens ligadas à água, à luz e ao movimento, que reforçam a ideia de continuidade e harmonia.



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