Há uma musica triste, distante,
um quase silêncio
que me toca no rosto
que me acaricia a Alma,
uma angústia fria e vaga
uma sombra profunda
um grito cansado
um destino por viver
um sonho por sonhar.
Há uma voz doce, presente,
uma quase alegria
que me envolve o coração
um triturar de gestos quentes
um quase vento de asas
um leve entendimento
uma breve lonjura
um poema que acaba de nascer!
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Autor:
Ricardo Maria Louro / Káká Louro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de fevereiro de 2026 07:29
- Categoria: Triste
- Visualizações: 17
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Comentários1
Este poema constrói-se a partir de um jogo muito interessante entre contraste e delicadeza. Na primeira parte, predominam imagens ligadas à tristeza e à interioridade: “música triste, distante”, “quase silêncio”, “angústia fria e vaga”. O uso repetido de “quase” transmite uma sensação de suspensão — como se o eu poético estivesse num limiar emocional, entre o sentir e o não sentir, entre o sonho e a realidade. Há uma atmosfera de melancolia suave, mais contemplativa do que desesperada.
Na segunda parte, surge uma mudança de tom. A “voz doce, presente” contrapõe-se à distância inicial. Ainda existe contenção (“quase alegria”), mas agora a emoção é mais luminosa. As imagens tornam-se mais quentes e dinâmicas — “gestos quentes”, “vento de asas” — sugerindo renascimento, abertura e possibilidade. O poema termina com uma metáfora muito bonita: “um poema que acaba de nascer”, como se o próprio texto fosse fruto dessa transformação interior.
No conjunto, trata-se de um poema sensível e intimista, que explora a transição da tristeza para uma esperança subtil, mostrando que mesmo na angústia pode germinar algo novo e belo.
Obrigado caro amigo. Um grande abraço.
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