Poema Triste

Ricardo Maria Louro

Há uma musica triste, distante,

um quase silêncio

que me toca no rosto

que me acaricia a Alma,

uma angústia fria e vaga

uma sombra profunda

um grito cansado

um destino por viver

um sonho por sonhar.

 

Há uma voz doce, presente,

uma quase alegria

que me envolve o coração

um triturar de gestos quentes

um quase vento de asas

um leve entendimento

uma breve lonjura

um poema que acaba de nascer!

Comentários +

Comentários1

  • José Francisco de Morais

    Este poema constrói-se a partir de um jogo muito interessante entre contraste e delicadeza. Na primeira parte, predominam imagens ligadas à tristeza e à interioridade: “música triste, distante”, “quase silêncio”, “angústia fria e vaga”. O uso repetido de “quase” transmite uma sensação de suspensão — como se o eu poético estivesse num limiar emocional, entre o sentir e o não sentir, entre o sonho e a realidade. Há uma atmosfera de melancolia suave, mais contemplativa do que desesperada.

    Na segunda parte, surge uma mudança de tom. A “voz doce, presente” contrapõe-se à distância inicial. Ainda existe contenção (“quase alegria”), mas agora a emoção é mais luminosa. As imagens tornam-se mais quentes e dinâmicas — “gestos quentes”, “vento de asas” — sugerindo renascimento, abertura e possibilidade. O poema termina com uma metáfora muito bonita: “um poema que acaba de nascer”, como se o próprio texto fosse fruto dessa transformação interior.

    No conjunto, trata-se de um poema sensível e intimista, que explora a transição da tristeza para uma esperança subtil, mostrando que mesmo na angústia pode germinar algo novo e belo.



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