Maria dorta

Confissoes_ Ato 1

Às vezes me pergunto onde foi parar aquela impulsividade com impetos veementes que me regiam os atos juvenis. Eles me empurravam para ações nem sempre ajuizadas .

...lá ia eu,por mares nunca dantes navegados e ousava sair das linhas memarcadas mas, só um pouco.

Mesmo ainda na adolescência,onde imperava o coquetel de hormônios,não dava vazão aos desejos. Tinha sempre nas mãos as rédeas dos proibidos anseios  Meu adestramento foi perfeito.

      Hoje sei. Aprendi que a razão,em estado febril,justifica nossos atos impensados e afoitos produto de um coquetel hormonal a base de testosterona que turbina nossa " coragem de fazer".

    Eu ia singrando os mares da vida,navegando com ventos contrários. Nunca perdi meu leme. Hoje,ter beijado tão pouco,lamento.

Ato 2

Amei pela adolescência afora,sem nunca confessar,muito menos transgredir as normas da boa conduta inscritas no catecismo socio_ religioso para mocinhas. Para os homens tudo sempre foi permitido.. já as mulheres,tinham que guardar a castidade,serem imaculadas para casamento arranjar . A este catecismo obedeci de A a Z.Casei virgem,inexperiente. Mas,já tinha um bom marido: dois cargos públicos conquistados em concursos.Era independente!

Entrava já na idade adulta,com nova responsabilidade: ser os pilares da nova família a vir.Nada sabia de sexo mas,fui desvelando seus segredos. Eu,amadora,fui me transformando na coisa amada. De tanto imaginar,não precisava mais recorrer a' imaginação pois concretização a ação desejada no outro corpo que me completava.Em mim mesma,eu tinha a parte desejada 

     Tinha consciência de meu estado incerto,vivia de árvores tremendo mas,não era de frio nem de calor  .Tinha tudo que queria mas abarca o vazio.

Maria Dorta 22_12_2021.  Escrito originalmente em 14_07_2014

 

  • Autor: Maria dorta (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de Dezembro de 2021 00:22
  • Comentário do autor sobre o poema: Registros de anseios antigos. Capítulos de uma história de vida
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 36

Comentários7

  • Nelson de Medeiros

    Boa tarde poeta.

    Ah! Confissões da mocidade! Como nos são caras!!!
    Muito bemd escrito.
    1 ab

    • Maria dorta

      Não tem mesmo jeito,de repente exsuda e cria vida própria. Sabemos nos,poeta, como é boa essa catarse. E já não me censuro mais! Grata pela tua ilustre presença. Ela bem me faz!

    • Anny

      As lembranças da mocidade sempre inspira belas composições. Parabéns! Desejo boas festas e um ano novo de inspirações!

      • Maria dorta

        Quanta generosidade! Agradeco_ te a presença na minha página. Feliz Natal,feliz Tudo para ti hoje e sempre!

      • @(ND)

        Bela reflexão Maria Dorta, a nostalgia faz dessas coisas , nos inspiram... Gratidão pela partilha!

      • Maria dorta

        Chega um tempo de reminiscências e a ele a gente se rende, grata pela leitura.

      • Claudia Casagrande

        Sou uma grande admiradora sua.
        Você tem sabedoria no que escreve e no que comenta.
        Adorei ler e reler suas confissões e muito me identifiquei com várias delas.
        Feliz Natal para você e sua família.
        grande abraço

        • Maria dorta

          Grata pelas tuas palavras,são ventos suaves na manhã de calor! A idade às vezes nos dá coragem de abrir o baú dos guardados,sem medo. Muita luz,saúde,paz e inspiração para você em 2022.

        • Jessé Ojuara

          Linda e corajosa confissão, que traduz o perverso legado patriarcal.

          Sempre há tempo para lagarta virar borboleta e voar livre.

          Parabéns.

        • Maria dorta

          Gratidão pela interação. Tens razão: hoje tenho asas treinadas.rsrs feliz 2022!



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