Comentários recebidos nos poemas por JOHNNY11



Os objetos sabem demais
JOHNNY11 disse:

Os Objetos Sabem Demais

O espelho é testemunha do meu pranto sem fim,
ele sabe por que razão correm as minhas lágrimas,
porque as pessoas deram-me tão pouco de si,
e eu dei-lhes tanto de mim.

A cadeira é testemunha da minha discussão,
tantas vezes que fui contra ela.
Porque sofri uma agressão,
eu estava em cena.
Era para ser uma pequena bofetada,
mas tornou-se algo mais sério.
Mais do que um ato cénico,
uma mão pesada.

O telemovel conhece mensagens nunca enviadas,
mensagens que escrevi com um sorriso no rosto,
mensagens que apaguei sem nenhum remorso.
Mensagem enviada?
Remetente morto!

A cama sabe quantas noites passei acordado,
ela diz que foram mais do que aquelas que eu poderia ter imaginado.
Eu não duvido, eu admito:
nem há um número exato para aqueles que passam a noite acordados.
Ela tem o nome gravado da pessoa que amo nos lençóis.
Estou em maus lençóis, concluo.
Na cama, sou tudo menos um super-herói.

Há uma porta que viu pessoas a entrar e a sair.
Essa porta é aquela em que chega a nossa hora,
a porta da memória.
E nessa porta nem toda a gente mora:
algumas desaparecem consoante o desenrolar da história,
enquanto outras, que nunca fizeram parte,
batem mais forte cá dentro
do que lá fora.

O relógio sabe o tempo que perdi à espera de uma mulher.
Foram minutos, minutos que pareceram luto,
um luto que fiz por horas,
e horas que desapareceram num abrir e fechar de olhos.
E, quando abrem, mudam a nossa vida num segundo,
aquele segundo de “mais vale perder um minuto na vida
que a vida num minuto”.
Ao que pergunto:
será que esta espera ditou o meu futuro?

A janela, no meio de um deserto, foi o oásis,
no meio de tanta descrença,
a réstia de esperança que faltava.
Mas nem ela me servia,
eu tinha vertigens.
Como poderia comunicar com alguém
e voltar às velhas origens?



Desde quando ficou tão difícil namorar à janela?
Desde quando observar através da janela
fez de mim um piegas?



Piegas ou não, a verdade é que
eu não consigo meter um travão.
A ansiedade vai com pressa:
ou eu mato-a,
ou ela, à minha frente, se atravessa.

A fotografia...
A fotografia congelou um momento,
feliz ou não, congelou.
E eu tenho de meter na minha cabeça
que é melhor deixar o que está para trás.
Se eu não o fizer,
eu nunca terei paz.
E eu quero paz, paz, paz,
e só a terei quando virar a página.

Neste álbum de fotografias,
o importante é nunca virar a página para trás,
mas sempre para a frente.
Sempre que seguimos em frente,
estamos a um passo do céu.
Eu rasgo o céu,
eu só fico para lembrança.

Eu começo na foto de criança
e termino na foto de ancião.
Que sorte que tenho:
uns já não podem,
e outros não anseiam esse ganho.

Hoje olhei-me ao espelho,
notei algumas mudanças,
talvez porque primeiro se estranha,
mas logo se entranha.
O meu sorriso e o meu pranto mudaram
conforme a maneira como os via.
Eu via o sorriso como sol de pouca dura,
eu via o meu pranto como arco-íris
que ocorre depois da chuva.

Então foi isso:
ao início, tudo parece um bicho de sete cabeças,
mas depois, com experiência e vivência,
conseguimos separar as diferenças
e perceber que há mais o que nos une
do que aquilo que nos separa.

Hoje o espelho diz-me na cara,
com beleza rara,
ninguém se compara.
Comparação é para fracos de espírito,
confiança é para aqueles que acreditam no processo,
e ele é tudo o que eu peço.

O telefone ainda tem o teu número marcado,
pois tu marcaste o meu telefone,
marcaste-o sem marcar.
Sem um único número,
conseguiste que ele se tornasse infinito.
Eu não sei o que tu fazes,
mas o meu telemóvel está com problemas.
Já mandei fazer uma revisão,
mas ele não apresenta legendas.

A gaveta guarda memórias,
cartas que escrevi,
fotografias de tempos que já não voltam,
objetos que já partiram.

O espelho...
O espelho partiu quando olhei para ele.
Eu acho que a gente até se divertiu,
pelo menos o pouco tempo que tivemos.
A beleza fugiu,
o espelho mentiu.
Só nós conhecemos esse amor doentio.

A gaveta guarda cartas,
cartas gastas de tinta,
que derramou no papel,
derramou o sabor amargo do fel.
Aquele fel que tem um sabor tão mau,
mas tão mau,
que uma vez que provas,
já não queres mais.

Tiras o anel,
olhas para a fotografia
e rasgas na frente do Pai Natal.

Os sapatos sabem por onde andei,
eles não contam incertezas,
eles contam factos,
e contra factos não há argumentos.
Sabem que fugi da terra
e que fui dar uma volta.
Caminhei no ar
e dei de caras com o amor,
ou devo dizer com o Cupido?
Não precisei de flecha para ser seduzido.

Eu também tenho as minhas apreciações,
sei o que quero,
sei o que não quero.
Sei que gosto de apalpar terreno,
sei que não gosto de ir com muita sede ao pote.
Por isso, nunca caminho por campos minados.
Vou por caminhos apertados,
que é como os teus e os meus sapatos:
atados.

A luz do quarto sorriu para mim,
e o que antes era escuridão ganhou uma nova cor,
uma cor viva que te seduz e estende a mão.
Quando não tens mais ninguém,
a escuridão sai sempre a perder
quando te levantas do chão.

O chão sabe que viveste preso pela escuridão,
sentado e sem querer cair na realidade.
Foste apanhado numa cena errada,
sem guião,
sem contracena.
És um mero espetador.
A plateia está vazia,
precisa de ti,
e tu precisas dela.

Talvez os papéis tenham trocado de posição
e agora estás preso na plateia,
não por medo,
mas por imposição.
Deixa que os palhaços façam o seu circo,
assiste ao fogo,
porque tu és isso:
tu és a peça fundamental do jogo,
o jogo dos objetos.

E tu...
aposto que já foste boneco nas suas mãos.

16 de agosto de 2026 12:53

Dualidade simbiótica
Rosangela Rodrigues de Oliveira disse:

Muito expressivo seu poema e a música que você colocou, retrata exatamente os dias atuais nas conduções, ônibus, trem, metrôs e sem falar nos vôo de avião e embarcação em alto Mar é como se o tempo todo vivêssemos em mundos paralélos, amei sua colocação é uma forma de se aprender um pouco sobre a bipolaridade. Parabéns poeta. Abraços poéticos.

8 de julho de 2026 13:55

O hino da tequila
Silva Pedro disse:

Bravo.

7 de julho de 2026 10:59

O outro lado da moeda
Shmuel disse:

O poema funciona como um desabafo irónico sobre a necessidade de fingir que está tudo bem.

Abraços

5 de julho de 2026 09:27

Brincos de prata - Braga
Rosangela Rodrigues de Oliveira disse:

Bem jovial seu poema, isso que se precisa papo para jovens. Parabéns poeta.

12 de junho de 2026 14:24

Remei sem remos
Shmuel disse:

Uma batalha levada a exaustão.

Abraços

5 de junho de 2026 13:46

Esta é a minha história
LEIDE FREITAS disse:

É uma história para refletir. Até breve!

4 de junho de 2026 10:58

Esta é a minha história
LEIDE FREITAS disse:

É história excelente. Até breve@

4 de junho de 2026 10:58

Eu nunca fico triste
Maria dorta disse:

Acho que sendo esse \" livro aberto\" e sabendo mostrar teus dons,não tens porque ficar triste! Vai poemando alegre pela vida agora!

3 de junho de 2026 12:11

Só agora é que percebi
Shmuel disse:

Interessante!! Lembre-se primeiro vem a lagarta e depois a bela borboleta.

Abraços

2 de junho de 2026 20:23

Lua cheia e insónias
Shmuel disse:

Abraços! Mais um poema bonito do poeta , Johnny11.

7 de maio de 2026 13:10

O poder da presença
Neiva Dirceu S. Machado - @(ND) disse:

Bom dia, JOHNNY11 , linda poesia, bela declaração poética com sentimentos de dor, um devaneio belo... Gostei de ler-te!
Tenho uma poesia com o mesmo titulo... Mas com conotação espiritual...

18 de abril de 2026 09:54

Racista!
Shmuel disse:

Racistas não passarão!

Abraços ao poeta!

24 de fevereiro de 2026 15:14

Linha do pensamento
Shmuel disse:

...\"Por seguir até ao fim uma única linha
A linha do pensamento\"...

Devemos sempre seguir essa guia - mestra.
Parabéns pelo poema!



29 de janeiro de 2026 11:50

Memórias
jroberto.bsb disse:

Muito belo! Parabéns pela feliz inspiração. Memórias são como o tempo, que o próprio tempo desfaz. Saudades, lembranças, o tempo leva e traz.

21 de dezembro de 2025 09:33

Vida (uma caixinha de surpresas)
Rosangela Rodrigues de Oliveira disse:

Este natal será de muita paz, alegria, verdades, bem diferente de muitos natais. E essa música que você colocou é linda, uma melodia Portuguesa, um funck de Portugal. Abraços poéticos.

11 de dezembro de 2025 15:10


Dádiva
Arthur Santos disse:

Caro poeta, é bom msmo que a Máfia nunca seja a tua praia, por todos os motivos e mais algum :)
Belo poema muito bem escrito.

19 de novembro de 2025 13:56

Dádiva
Miguel Candumbo Celestino Magalhães disse:

MUITA MESTRIA.

19 de novembro de 2025 10:33

O que me inspira todos os dias
Cicera Ferreira disse:

Lindo!

10 de novembro de 2025 14:33

O homem dos 7 ofícios
Arthur Santos disse:

A forma como constrói as imagens poéticas neste poema, é impressionante.

8 de novembro de 2025 21:11

Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão
Arthur Santos disse:

Sente-se neste poema muita intensidade emocional!

7 de novembro de 2025 11:28

Crescer
Arthur Santos disse:

Um poema que fica na memória.

6 de novembro de 2025 14:22

Crescer
Arthur Santos disse:

... e a tinta pingou bem neste poema... :)

6 de novembro de 2025 11:04

Tóxico
Antonio Olivio disse:

Bravo!!!
Belo poema companheiro!!!

24 de outubro de 2025 21:07

Um homem só
Isabella Vitória disse:

você é cem!

15 de outubro de 2025 15:38

Contra a corrente
Shmuel disse:

Muito bom!

Abracos !

20 de setembro de 2025 14:35

Não vou te pedir nada
JOHNNY11 disse:

Não me agradeças
Se não me diz nada o exterior
Para mim a maior das grandezas
Está no teu interior

29 de julho de 2025 12:06

Não vou te pedir nada
JOHNNY11 disse:

Obrigado a quem tiver um minuto do seu tempo a ler este poema escrito por mim e ouvir esta linda música gracias de despistaos

29 de julho de 2025 12:03

Alma purificada
Shmuel disse:



9 de julho de 2025 09:35

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