O abismo chama pelo meu nome.
E eu finjo que respondo.
Olho os que passam.
São bonecos de carne.
Brilham no vazio que habitam.
E o vazio lhes parece o paraíso.
Seu maior pecado?
A mais doce das ignorâncias:
A fé na própria importância.
O riso que escapa de um salão sem portas.
Eu poderia salvá-los.
Não quero.
Toda salvação é um vício dos fracos.
A lucidez é uma lâmina que não corta.
Deixo que sonhem.
A noite é minha.
Um toque que não é carne, mas é carne.
O êxtase de saber que a queda é certa.
Que a esperança é o último vício.
E eu, a espectadora dos vícios alheios.
Que amem suas prisões.
A jaula que brilha.
A mentira que aquece.
A ferida que se chama futuro.
No centro do que desaba, assisto.
O absurdo não me fere.
Me basta.
É a única paz que conheço.
E quando a última luz se apagar,
não haverá silêncio.
Haverá meu riso, seco e final.
Um estalo de dedos no escuro.
A beleza disso?
Tudo desaba.
E eu nem preciso empurrar.
Só aponto.
A noite não é o fim.
Quando eu me deitar
sobre a última mesa posta,
não haverá julgamento.
Haverá um perfume.
É do meu corpo.
E a morte será só eu.
Eu, a Espectadora
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 2 de novembro de 2026 06:30
- Comentário do autor sobre o poema: "A diferença entre uma pessoa inteligente e uma idiota é que o idiota repete as idiotices dos outros e a inteligente inventa as suas próprias idiotices." –Verônica Berg / ...segue um chute no estômago, dado pelo grande poeta: "Escritores ruins são necessários. Sempre haverá escritores ruins, pois eles atendem ao gosto de pessoas em estágios de desenvolvimento e amadurecimento menos avançados; estes também têm suas próprias necessidades, assim como as pessoas mais maduras. Se a vida humana durasse mais, o número de pessoas maduras superaria o número de pessoas em desenvolvimento, ou, no mínimo, seria igual a ele; no entanto, atualmente, uma grande maioria morre muito jovem, ou seja, sempre há um número muito maior de mentes em desenvolvimento com gostos questionáveis. E eles, além disso, anseiam por satisfazer suas necessidades com a paixão característica da juventude, e, por isso, buscam autores de qualidade inferior." –Friedrich Nietzsche
- Categoria: Não classificado
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