SUSPIROS

Nelson de Medeiros



SUSPIROS

 

O sol, em azul-rubi, a tarde finda
em céu de luz que lento desvanece;
a dor do mundo o bardo agora esquece
e busca o que é de bom na Terra ainda!

 

Sua chama inspiradora se engrandece:
olhando então a musa, ele se inclina
e, ao ouvido, lhe diz quase em surdina:
— O teu rosto é o céu da minha prece!

 

Ela, fitando a tarde que morria
num tom de azul e fogo, matizada,
envolvida na divina aquarela,

 

indaga: — “Acaso fazes poesia?”
— Não — diz o bardo à musa deslumbrada —
ao contrário, eu que sou feito por ela!

 

Nelson de Medeiros

  • Autor: Nelson de Medeiros (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de janeiro de 2026 11:14
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 15
Comentários +

Comentários1

  • Ema Machado

    Sempre impecáveis e belos versos! Abraço,



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