alana

conversa com epicuro

epicuro disse uma vez que a quem não basta pouco, nada basta.
epicuro, diga para mim,
olhando no fundo dos nos meus olhos castanhos, quase negros,
e perceba bem de perto minhas sobrancelhas escuras e espessas,
fite também minha boca vermelha e carnuda, de onde saem
as palavras mordazes das quais já deve ter ouvido falar
e não pare por aí:
note o franzir do meu cenho,
o torcer do meu nariz,
o elevar da minha postura
e a rispidez que se adianta da minha resposta
que você ainda nem ouviu
e diga-me: como é que pode me bastar pouco,
se fui erguida em chama incessante,
levantada em tempestade iminente
e cravada pelas unhas e dentes das deusas famintas?

se sua filosofia estiver correta,

morrerei inquieta, sem que pouco nenhum me baste
porque muito já era meu por direito,
desde o dia do meu nascimento
e esse é o meu basta para essa discussão
que jamais existiu.

Comentários4

  • Nelson de Medeiros

    Boa tarde poeta.
    E já não é um imensa virtude o teu dom de poetizar?
    1 ab

    • alana

      obrigada kkkk muito obrigada

    • Cecilia

      Alana, muito impressionada com seu texto forte, atrevido, seguro, conciso, fui à sua página, onde se lê que você publicou dois poemas. Só achei este, então: BEM-VINDA!

      • alana

        poxa muito obrigada pelo feedback, fico até sem jeito. obrigada pela recepção também!!

      • Edla Marinho

        Boa noite.
        Gostei muito de sua criatividade!
        Linda noite pra ti.
        Meu abraço

        • alana

          muito obrigada!!!

        • Zaira Belintani

          Boa noite.
          Se Epicuro estivesse aqui, certamente iria se reverenciar diante da sua filosofia, poetisa Alana.
          Abraços e aplausos!

          • alana

            tocada com as suas palavras, muito obrigada mesmo!!



          Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.