Elfrans Silva

HÁ UM ALGUÉM LÁ FORA

Há um alguém lá fora...
Além da fronteira do teu aconchego
Na noite fria
E ao despertar, ainda bem cedo,
Desocupa a calçada da periferia

Sai à esmo pela vida.
Que vida, se viver vai além de existir ?
Se só  lhe resta fugir
Por entre a multidão
Faminto pelo pão que pode não vir?

Corpo quase desnudo
Onde seu “mundo" é o retrato
Da vida em trapos
Onde os homens são surdos
O valor é falso, e o juízo insensato.

Sem lar, sem destino
Bate de novo na porta da igreja
Alguma esperança
Que o sustento lhe alcança
Por piedade a mão benfazeja.

Mas que fazemos nós
Ante a vós do necessitado
Que nos implora ?
Todos os dias somos lembrados:
“Há um alguém (ou ninguém?) lá fora"

Comentários7

  • Ema Machado

    Eu tenho essa visão, ficou uma bela mensagem reflexiva. Parabéns, poeta!

    • Elfrans Silva

      Entendemos pela história que do CAOS
      tudo veio a existir. Estamos se recolhendo ? Como um balão inflável?
      estamos trazendo aqui um tanto a mais de reflexão sobre essa dolorosa realidade.
      Grato, Emarilaine por seu comentário.

    • CORASSIS

      Meu poeta!
      Esse é meu tipo de poema!
      Que soa o sino das injustiças
      Inclusive as nossas.
      Belo!!!
      Abraço

      • Elfrans Silva

        Lembra da passagem do Bom Samaritano ? De quem se espera geralmente não vem. Ou pouco se faz.
        Ou do Titanic ? Salve-se quem puder ?
        Que Deus nos ajude, e nos dê mais amor,
        mais soluções.
        Abraços poeta Colibri

      • Ernane Bernardo

        Belo poema reflexão, parabéns, poeta Elfrans Silva, destaque para essa estrofe;
        "...Corpo quase desnudo
        Onde seu “mundo" é o retrato
        Da vida em trapos
        Onde os homens são surdos
        O valor é falso, e o juízo insensato..."

        • Elfrans Silva

          A sensibilidade poética sofre com o infortúnio do semelhante, ao ter que julgar o descaso humano, em nosso idioma. Mas ninguém pode ficar insensível. Vc tbm sofre, poeta Ernane, ao destacar esse verso. Te agradeço por comentar. Boa noite

        • Maria dorta

          Triste verdade,poeta. Muitas vezes a humanidade fica cega a meio mundo de desamparados. É podemos sempre ser uma mão amiga e ajudar,sem julgar. Eu nunca deixo um pedinte com um NAO como resposta! Ajudar,compartilhar dão os verbos que mais gosto de conjugar. Parabéns,esse sino que tocantes deve estar sempre a tocar: não nos imitamos de aos pobres ajudar! Aplausos!

          • Elfrans Silva

            Presença sempre marcante, aqui, Maria Dorta. Não se pode despedir ninguém de
            mãos vazias. O sino tem um timbre impactante. Como o tic tac do relógio e as batidas do nosso coração. Esses tres nos dizem que a vida nos chama.
            Grato por comentar. Boa noite

          • Jose Fernando Pinto

            Belo texto meu amigo, extremamente necessário, que ecoe pelo mundo e toque nos corações! Grande abraço!

            • Elfrans Silva

              Saudade de você Colibri. Grato por comentar embora seja um tema sofrível.
              Que aconteça seu desejo, aliás nosso, de mensagens como está ir muito além das nossas expectativas. Boa noite. Forte abraço

            • Ser Humano

              Belo poema, continue a escrever mais desses gritos ao nosso coração.

              • Elfrans Silva

                Alguns poemas antes, escrevi DEPREDAÇÃO, tema ecológico. Sempre haverá gritos de inconformismo, não dá pra deixar que estoure nas mãos dos futuros sobreviventes. Dá pra fazer algo.
                Vamos, pela poesia também, alertando. Abraços amigão. Boa noite

              • Lady Hawke

                Deparar-se com pessoas lançadas à “liberdade” da vida nas ruas deveria, no mínimo, estragar nosso sossego e, no mesmo ato, incendiar as nossas lutas. Há muito combustível bem aí, ao seu nosso redor.
                Parabéns poeta bela reflexão

                • Elfrans Silva

                  Eu que agradeço seu comentário, poeta.
                  Essas linhas compõem mais um grito e se juntam a milhares que são dados todos os dias. Há carência de ouvidos.
                  Mas a poesia tem sua voz tbm. Abraços e uma ótima tarde



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