O HORROR QUE SE OBSERVA

Morlock


Assunto/Tema para o Poema Mesclado:

À escuridão da consciência, os pensamentos se movem lentamente, como peixes em grandes profundidades. Parece que não estamos pensando em nada, mas, na verdade, lá, no fundo, há um trabalho contínuo.




O HORROR QUE SE OBSERVA


O abismo não é vazio: é massa.
Sob a superfície do rosto,
o peso do que não se diz.
Lá embaixo, a engrenagem
de carne e sombra não descansa,
demônios cegos devorando
o que resta da luz.
Um trabalho mecânico, surdo,
em tempos que não permitem o salto.
O silêncio é apenas
o ruído de uma construção
que nos ignora.
Há uma coreografia de sombras
que não pedimos para nos governar.
A mente é um subsolo
de fôlego curto e movimento lento,
onde o pensamento não nasce,
apenas se arrasta.
Não somos o mestre,
somos o solo onde o horror se processa.
Tudo o que chamamos de eu 
é o sedimento de um esforço invisível,
um labor de parasitas
que, no escuro, decide
quando paramos de ser.
por Morlock


Despido do orgulho da existência
com a confiança em rocha
na base da construção.
As paredes erguem esgias,
feitas com tijolos de areia solta —
sem liga.
Desabam uma a uma
e a construção
retoma em reforma.
Sobre o abismo crio pontes;
não atravesso — dissolvo.
Não se joga sem temer a queda.
Só quem cai pode ouvir
a realidade crua de si,
a formação congênita do ser;
apenas lapidada,
pelo que chamas de vida.
Despir se do orgulho
e descobrir:
Nada existe além de ti.


Olhando os eventos
Sinto-me um estranho
No meu próprio molde.
Desconheço meus surdos pensamentos.
Minhas certezas me assombram.
O horror de estar consciente
Do próprio horror que nos permeia.
Do horror que nos rodeia.
Vida, mundo, a que vieram?
Quem governa esta barca?
O que há depois da queda?
PLDCV


Na escuridão,
alguma consciência trabalha.
Não pensa — mastiga.
Os pensamentos cruzam o fundo,
lentos,
seres sem olhos roendo
o próprio rumo.
Eu julgava estar vazio.
Era só o inferno fazendo hora
para o horror terminar de se instalar.
Agora sei:
o eu não é real,
é resto acumulado
depois do esforço.
Sob a pele,
sombras se articulam
com a paciência
de quem não precisa vencer.
Não temos medo.
Somos o sangue que as mantém.
E esta nova lucidez —
que surpresa —
não abre nenhuma porta:
apenas mostra quem,
no escuro,
já escolheu por nós
quando cessar.
– Rebecca –

  • Autores: Morlock, Noétrico, Um bardo, Becca
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 28 de outubro de 2026 09:17
  • Limite: 5 días (Termina em 2/11 09:17)
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Por favor, respeite o formato da estrofe.
  • Categoria: Não classificado
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