Inveja

Lesy Williams

Ela é subtil e passa muitas vezes despercebida;

Não tem cor nem sabor que se investiga.

Ela camufla-se como um sorrateiro camaleão

e rebela-se perante um sentimento de indigestão.

 

Ela contorce-se com a azia na penumbra;

Sussurra-se como o vento em tempo de chuva;

Não se satisfaz em pleno com o que tem,

arranja sempre um modo de omitir o que lhe convém.

 

Ela é prima do ciúme e parente da cobiça;

Ela envenena e simplesmente não avisa,

quando bate à porta de vizinhos alheios,

à procura de se alimentar com inúteis receios.

 

Ela manifesta-se com sorriso em tom eloquente;

Cospe palavras de agrado e de soluções;

Não aceita desaforo nem contradições,

pois no fundo anseia mais pelo que não lhe pertence.

 

O seu veneno contagia com perspicácia;

Coabita-se em enredos no mundo da falácia.

Não é de forma alguma compatível com a verdade;

Distorce-se em convulsão na dura realidade.

 

Afasta-te dela e não te iludas;

Ela se manifestou com peripécia no corpo de Judas.

Ela não é invencível nem imbatível;

Arranca o bom senso com o que é exequível.

  • Autor: Lesy Williams (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 24 de outubro de 2026 04:45
  • Comentário do autor sobre o poema: Os efeitos da inveja
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
  • Em coleções: O Roteiro I.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.