Ela é subtil e passa muitas vezes despercebida;
Não tem cor nem sabor que se investiga.
Ela camufla-se como um sorrateiro camaleão
e rebela-se perante um sentimento de indigestão.
Ela contorce-se com a azia na penumbra;
Sussurra-se como o vento em tempo de chuva;
Não se satisfaz em pleno com o que tem,
arranja sempre um modo de omitir o que lhe convém.
Ela é prima do ciúme e parente da cobiça;
Ela envenena e simplesmente não avisa,
quando bate à porta de vizinhos alheios,
à procura de se alimentar com inúteis receios.
Ela manifesta-se com sorriso em tom eloquente;
Cospe palavras de agrado e de soluções;
Não aceita desaforo nem contradições,
pois no fundo anseia mais pelo que não lhe pertence.
O seu veneno contagia com perspicácia;
Coabita-se em enredos no mundo da falácia.
Não é de forma alguma compatível com a verdade;
Distorce-se em convulsão na dura realidade.
Afasta-te dela e não te iludas;
Ela se manifestou com peripécia no corpo de Judas.
Ela não é invencível nem imbatível;
Arranca o bom senso com o que é exequível.