Só o que é Justo e nada além disso

Michel F.M.


Não vou te dizer
Para lutar pelo que é certo,
Pois o que é certo
Tem sido sadicamente distorcido.
-
Vou te dizer,
Para lutar pelo que é justo,
Porque o que é justo de verdade,
Nem sequer deixa margem
Para distorção.
-
[Michel F.M.]


Não precisa de títulos
nem de aplausos.
Não precisa nem de ouro
nem de poder.
Basta o coração reto e sincero
e cada passo guiado pela verdade.
Só quem é justo levanta sem pressa,
ganha sem enganar,
cresce sem se achar.
Não é mais do que ninguém
mas é inteiro e isso basta
e isso é tudo.


Não sigo as regras de quem não sente,
prefiro o peso de ser verdadeira.
A justiça é um farol silencioso
que guia a mente a vida inteira.
(- Solilóquia)


Só há valor na justiça se o topo for limpo e reluzente.
Um farol que não cega, mas guia o olhar direto para a trégua.
Só que a fidelidade tem suas armadilhas:
virou anestesia pura.
Funciona como a receita errada de um médico,
aquela substância que dopa, mas nunca cura o paciente.
No meio desse processo, eu desapareço.
O que sobra é o gosto áspero de um sistema indisponível,
que dita sua rejeição de maneira categórica.
[ CORASSIS ]


O que é certo e errado
Pode ser algo complexo de se falar.
Cada pessoa tem pra si
O certo e o errado a definir
Através de suas vivências
E experiências no existir.
Mas a justiça está aqui
Balançando em equilíbrio
É através dela que buscamos
os melhores princípios.
Ao pesar o coração com a razão
Conseguimos encontrar o caminho
Que podemos seguir sem medo
De ser o melhor caminho a seguir.

  • Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira, solilóquia, CORASSIS, Samara A. Ferreira
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 23 de outubro de 2026 12:15
  • Limite: 10 estrofes
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  • Comentário do autor sobre o poema: Este é um poema conciso, mas de grande impacto filosófico e social. Ele constrói sua força a partir da oposição entre os conceitos de "certo" e "justo", questionando como a moralidade e a linguagem podem ser manipuladas. Abaixo, apresento uma análise estruturada dos principais aspectos da obra: 1. A Oposição entre o "Certo" e o "Justo" - O cerne do poema está na diferenciação sutil, mas crucial, entre esses dois termos: • O "Certo" (Institucional/Cultural): O eu lírico argumenta que o "certo" se tornou um conceito plástico. Ele é frequentemente ditado por regras sociais, leis vigentes, dogmas religiosos ou conveniências políticas de uma época. Por depender de interpretação humana e de estruturas de poder, ele foi "sadicamente distorcido" para justificar atrocidades ou manter privilégios. • O "Justo" (Universal/Ético): O "justo" é apresentado como algo absoluto, intrínseco e inquestionável. Enquanto o "certo" pode ser uma convenção social, a justiça real ("justo de verdade") evoca uma noção de equidade e humanidade que não depende de leis escritas. Ela é autoevidente. 2. A Inviolabilidade da Justiça - Nos versos finais, o autor eleva a justiça a um patamar de pureza ética: "Porque o que é justo de verdade, / Nem sequer deixa margem / Para distorção." O poema sugere que a verdadeira justiça possui uma lógica tão cristalina e voltada ao bem comum que qualquer tentativa de manipulá-la a destrói por completo. Se for distorcida, deixa imediatamente de ser justiça. 3. Estrutura e Tom - • Tom Exortativo e Fraterno: O poema adota a postura de um conselho ("Não vou te dizer..." / "Vou te dizer..."). O eu lírico assume o papel de um mentor ou de alguém calejado pela realidade, conversando diretamente com o leitor (ou com uma geração mais jovem). • Linguagem Direta: Não há uso excessivo de metáforas complexas. A crueza das palavras reforça a urgência da mensagem. A escolha do advérbio "sadicamente" imprime uma carga emocional forte, denunciando a crueldade de quem manipula a moralidade para causar sofrimento. Conclusão - O poema é um manifesto de desilusão com as narrativas morais tradicionais e, ao mesmo tempo, um voto de fé na ética pura. Ele convida o leitor a abandonar o legalismo cego (fazer o que disseram que é "certo") e a abraçar uma busca consciente pela equidade real (lutar pelo que é "justo").
  • Categoria: Reflexão
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  • Em coleções: Zumbido Coletivo.