Liberdade

Michel F.M.


é a possibilidade
de escolher,
a quais ideias
e ideais, iremos
nos aprisionar.
-
[Michel F.M. - Revolesia]


É amar sem culpa,
Falar com o coração,
Escrever com sentimento
E compor uma bela canção.


Liberdade não é correr
sem rumo, é ter o coração
Leve para escolher o caminho.
É nascer todos os dias de novo
e ser quem realmente
veio ser.


Onde está a liberdade?
A liberdade é chama já apagada,
A lei é estátua apática na terra,
A paz é ficção já esquecida,
Desejada no corpo de sangrenta guerra.
Prisão se faz na mente acorrentada,
O homem se perde no ódio que encerra,
A fé virou promessa esquecida,
E a família chora o sangue que enterra.
O tempo consome o que era tão belo,
Os sonhos se destroem nos jardins.
A luta implode o vilão no castelo,
E resta a trilha no labirinto escuro:
De um recomeço cinza no futuro,
No fim o anseio: ser um ser inseguro!
- Jorge E. Leal


É amar sem culpa,
Falar com o coração,
Escrever com sentimento
E compor uma bela canção.


É partir para todos os lados
voar em céus abertos, iluminados
repousar nos prados
pisar os cardos
e respirar perfumes alados.


É ter coragem de sentir,
Mesmo sem saber onde vai dar,
É olhar o próprio abismo
Sem deixar de caminhar,
Nem ter medo de se encontrar. _Metamorfose


A carne hesita na beira da laje.
Abaixo, não há chão nem voo:
apenas o vento cru da escolha,
a vertigem de poder tombar
ou de continuar de pé contra o nada.
O peito pesa.
Não é o ferro dos anos que encurva a espinha,
mas o cálculo mudo do que se há de ser.
Poderia eu deitar-me na vala dos dias,
chamar de paz a inércia dos covardes,
e rir com os que fingem viver.
A sombra fita a sua origem.
Cansa inventar desculpas para as próprias mãos.
Cansa fingir que a cela tem tranca por fora,
quando a chave enferruja nos dentes
e a porta sempre esteve aberta
para o escuro que ninguém quer ver.
O abismo não nos empurra.
Ele espera o veredito da vontade:
ou a queda vulgar de quem se anula,
ou o salto cego, estilhaçado e lúcido,
que arranca do silêncio de Deus
a única verdade que prova essa maldita liberdade.
S.D.G


Nesta estrada de viagens noturnas,
onde a noite avança sob intensa ameaça,
o caminho ensina quem muito caminha:
conhecemos as crateras deste asfalto antigo
de tanto insistir na jornada.
A vida vai e vem, mutável,
e nos transforma em guerreiros imediatos.
Ficamos viciados em viver, em testar limites,
em prolongar a urgência do próximo beijo,
enquanto eu sofro, em silêncio,
as promessas desfeitas deste amor.
A existência sabe ser áspera,
mas ninguém prometeu a calmaria.
Carregamos o paradoxo de querer o mundo:
rejeitamos a chuva e o calor do sertão,
ansiamos pela facilidade da coisa pronta,
pela fruta colhida, doce e descascada.
Negamos o serviço ao próximo,
mas exigimos dele toda a benevolência.
Não nos cabe a humildade,
pois nos sentimos o próprio universo.
E assim, a liberdade se torna a estrada contrária.
O avesso do caminho,
quando escolhemos não pesar as responsabilidades.
[ CORASSIS ]


Ser livre é entender que não se pode ter tudo
Contudo, a liberdade é quase sempre um fardo
Criado e alimentado pelo nosso ego inflado
Quando as asas são pesadas demais para voar
Quando o excesso de oxigênio começa a sufocar
O livre arbítrio passa a ser uma maldição
Estamos todos condenados ao conforto desta prisão
( Pacificador )

  • Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Paulo Silva, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, ondavida amar, Metamorfose, Ebelac , CORASSIS, Pacificador
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 21 de outubro de 2026 05:52
  • Limite: 15 estrofes
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  • Comentário do autor sobre o poema: O poema "Liberdade" de Michel F.M. (do projeto Revolesia) apresenta uma visão profundamente irônica e paradoxal sobre o conceito de autonomia humana. Com uma estrutura curta e direta, o texto desconstrói a ideia tradicional de liberdade como uma ausência completa de amarras. • O Paradoxo da Escolha: O autor define a liberdade não como o ato de estar permanentemente livre, mas sim como o poder de escolher a própria prisão. A verdadeira autonomia, segundo o eu lírico, reside no arbítrio de decidir a quais dogmas, pensamentos ou causas vamos nos dedicar. • Ideias e Ideais: O poema faz uma distinção sutil, mas importante. Ideias representam o campo do pensamento, da intelectualidade e das visões de mundo. Ideais remetem às utopias, valores morais e objetivos de vida. O autor sugere que, inevitavelmente, nos tornamos reféns daquilo em que acreditamos. • A Condição Humana: Há uma forte conversa implícita com a filosofia existencialista (como a de Jean-Paul Sartre, que dizia que "o homem está condenado a ser livre"). Para o poeta, a mente humana necessita de estruturas de crença para operar, o que significa que estar "totalmente livre" (sem ideia ou ideal nenhum) seria um vazio existencial impossível de sustentar. • Linguagem Concisa: O poema utiliza pouquíssimas palavras para transmitir uma mensagem complexa. Essa concisão amplifica o impacto do desfecho. • Quebra de Expectativa (Antítese): O poema começa de forma convencional ("é a possibilidade de escolher..."), mas termina com a palavra "aprisionar". Essa virada textual choca o leitor e força a reflexão sobre o peso das nossas próprias escolhas. Em resumo, o texto sugere que ser livre não é viver sem grades, mas sim ter o privilégio de escolher o formato da própria gaiola.
  • Categoria: Reflexão
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  • Em coleções: Zumbido Coletivo.