Império da Podridão

Michel F.M.


Conhecemos bem os Estados
Usurpadores da América.
-
Aprisionam os povos livres
Em nome da liberdade,
Jogam bombas à esmo
Pela paz mundial.
-
Destroçam as gentes do globo,
Sugam petróleo e a vida,
Os verdadeiros terroristas
Parasitando o capital.
-
Descobrimos recentemente
Que o grande patriota,
É um novo sinônimo
Para o idiota da tribo,
Traidor da pátria.
-
[deita, rola e late]
-
Aquele que entrega de bandeja
Toda riqueza do teu país,
Em troca de fritar hambúrguer
Na terra do Mickey mouse.
-
[deita, rola e dá a patinha pro MAGA]
-
Mas o fosso não tem fim,
Defensor da familícia e das orgias
Sagradas, putaria fudida
Em nome dos senhores.
-
Comprando tudo com dinheiro vivo,
Barqueiros da morte,
Corruptos de estimação.
-
Arma na mão de criança,
Ajoelhados pra bandeira alheia,
Fogo nas universidades
E na constituição.
-
[deita, rola e balança o rabinho]
-
Amante dos banqueiros,
Servidão voluntária, a saga do coveiro
Profissional. Prontos pra enterrar
Um país inteiro.
-
Seremos os cúmplices
De toda sujeira,
Ou criaremos coragem
Para colocar o lixo pra fora?!
-
[Michel F.M.]


"Seremos a tua esperança."
Aqueles que puxam a corda.
"Pedimos a tua confiança."
Senta, deita, late e rola.
[Guilherme Henrique Favaro]


"somos apenas animais aos olhos dos superiores, não tendo sentimento, mente ou dor
é isso usam para nos descrever aos outros
são apenas animais, não percebem nada além de comida e a falsa sensação de ser liberto e fiel a quem pensa ser um bom legado."


Não me peçam modos
diante da fogueira.
O calor consome a pressa;
o contra-ataque se calcula a frio.
O fogo pede ação,
o corpo pede alívio.
Mas o cansaço acumulado
congelou o sangue em indiferença:
não há ódio no meu peito,
apenas o espaço vazio da decisão.
Cansei de ser o alvo.
Meu olhar fixo não pisca, não ameaça;
ele apenas assiste o oponente
desmoronar no próprio medo.
Sirvo o revés com precisão cirúrgica.
O perdão é um bônus particular
que já não cabe nesta mesa.
Minha pele não repete a dor.
O amor é lança, mas escolho a espada:
o gume que separa o antes do depois.
Não me obriguem a gastar o sopro.
Meu silêncio pesa mais do que um grito,
porque o grito avisa de onde vem o golpe,
enquanto o silêncio ferve no escuro
e confunde o inimigo.
[ de CORASSIS ]


O Pau-Brasil adulto já forte e resistente as formigas
Quando muda, sofreu muito com elas e quase morreu
Ao ver o Pau-Formiga cheio delas não entendeu
Declarou ódio ao Mutualismo
Observando o sentimento
O Cipo-Estrangulador aproveitou o momento
Declarou-se o único capaz de uma solução fácil
Cego de ódio, o Pau-Brasil presumiu
Que o inimigo do seu inimigo era seu amigo
E ao Cipo-Estrangulador deu abrigo
E claro, o Parasita sugou-lhe toda a vida
(Carolbyte)


Houve um momento em que o tolo que havia em mim
Pensou no ''Yes, we can'' como um verdadeiro We
Porém, os americanos,
Não entendem um mundo além de si
Não veem beleza na flor do lácio,
E até os irmãos de lá,
Néfios do Tio Sam
São brothers... Pero no mucho
A pele deles é preta e também vermelha
Azul, branca e as estrelas
Seria o preto, verde e amarelo
Uma ilusão de mundo fraterno?
Os americanos no palkkko do mundo
E nós aqui no fundo de quintal.
Nós somos o samba, bamba
Eles que fiquem com o Carnegie Hall
Um palkkko perfeito em ruínas
E os brothers-pero no mucho,
Sabem do gueto de mentiras
E da experiência terceiro mundista
(MALÓI)


Eles miram o império distante,
Gritam contra o vizinho do norte,
Mas ignoram que o solo que pisam
É regido por balas e morte.
Lá fora há bombas e guerras de Estado,
Disputas por palcos mundiais;
Aqui não há bomba, mas sobram balas e violência ao redor
Criticam a corte e o trono de lá,
Apontam o dedo ao poder estrangeiro,
Mas calam a boca e dobram o joelho
Diante do chefe do solo brasileiro.
O presidente de lá é julgado e exposto,
Seu nome vira sátira em qualquer lugar;
Mas o governante que manda na terra
Ninguém se atreve sequer a questionar.
Gritam seus discursos na praça,
Maldizem o luxo e o capital,
Mas quando o bolso se enche de notas,
O plano de vida é bem digital.
Criticam a terra do Mickey e o mercado,
Com fúria ideológica no olhar,
Mas é para as escolas daquela nação
Que os filhos eles mandam ir estudar.
E se contra o governo você ousar ir,
O destino é a cela para envelhecer.
Mesmo sem crime nenhum cometer,
O preço de discordar é o que vai pagar.
Gritam aos ventos que somos todos livres,
Mas são correntes invisíveis a nos amarrar.
Dizem que o povo tem voz e direito,
Que a democracia nos deixa falar,
Mas nos amordaçaram de tal jeito
Que sequer conseguimos respirar


13
-
De tempos em tempos
Nossa humanidade é posta à prova.
-
Não se deixe enganar,
Direita, centro, esquerda,
[a conciliação de classes
é a mais tenebrosa de todas as falácias]
-
São mais um artifício
Semeado incessantemente,
Pelos manipuladores
Das massas.
-
Eles querem que pensemos
De modo horizontal, num
Mundo de extrema verticalidade.
-
Eles nos fazem crer
Que são equilibradas
As forças que estão em disputa,
Elas jamais foram.
-
É preciso radicalizar, para se chegar
À raiz do problema.
Na realidade os dois lados que existem
[os únicos dois],
São o de cima e o de baixo.
+
O opressor representa menos de 1%,
Daqueles que nunca trabalharam,
Parasitando tudo o que a parcela explorada,
Produziu, produz e produzirá.
-
Os outros 99% e uns quebrados,
Somos nós, os desacorçoados,
Roubados de todas as formas possíveis
E imagináveis, somos aqueles
Que construíram tudo e a quem
Foi negada, toda e qualquer participação.
-
De tempos em tempos
Nossa humanidade é posta à prova.
-
Não se deixe enganar,
Você está do lado de quem infesta a cobertura,
Brindando com o sangue dos inocentes,
Ou está aqui na sarjeta, junto conosco?!
-
Nós somos o espectro
Que a tudo ronda, finalmente
Materializado, corporificado,
Concreto e combativo,
Fluindo e se propagando,
Tendo a vida como aliada
E a morte confidente para nos eternizar.
-
Michel F.M.

  • Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Guilherme Henrique Favaro, Anny [NÃO COPIA], CORASSIS, KByte, Malói, Mara
  • Visível: Todos os versos
  • Finalizado: 23 de outubro de 2026 12:08
  • Limite: 8 estrofes
  • Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Este é um poema de forte teor político-ideológico, panfletário e satírico, estruturado em verso livre. Ele se constrói a partir de uma crítica contundente ao imperialismo estadunidense e, simultaneamente, à extrema-direita brasileira (alinhada ao bolsonarismo e ao movimento MAGA). Abaixo, apresento uma análise detalhada da obra dividida por seus eixos temáticos e recursos estilísticos: 1. Crítica ao Imperialismo e à Geopolítica (Estrofes 1 a 3) - O poema abre com uma denúncia direta aos "Estados Usurpadores da América" (uma clara alusão aos Estados Unidos). O autor utiliza o recurso do paradoxo para evidenciar a hipocrisia geopolítica: • Paradoxos: Aprisionar em nome da liberdade e bombardear pela paz mundial. • Vampirismo econômico: A expressão "Sugam petróleo e a vida" associada a "Parasitando o capital" define o imperialismo como uma força destrutiva e exploratória, invertendo a narrativa oficial ao classificar o Estado hegemônico como o "verdadeiro terrorista". 2. A Sátira ao "Patriota" e o Vira-Latismo (Estrofes 4 a 6) - A partir da quarta estrofe, o foco muda do opressor externo para o aliado interno. O eu lírico redefine o conceito de patriotismo no contexto político recente: • O "Idiota da Tribo": O patriota é ironizado como alguém ingênuo ou manipulado, rotulado diretamente como "traidor da pátria". • Subserviência cultural e econômica: A menção a "fritar hambúrguer na terra do Mickey mouse" evoca um episódio real da política brasileira (a intenção de Eduardo Bolsonaro de ocupar a embaixada nos EUA, defendida por sua experiência prévia fritando hambúrgueres). O poema usa isso como metáfora para o complexo de vira-lata — entregar as riquezas nacionais em troca de migalhas ou validação estrangeira. 3. As Rubricas Cínicas e a Desumanização - O uso de versos entre colchetes — [deita, rola e late], [deita, rola e dá a patinha pro MAGA], [deita, rola e balança o rabinho] — funciona como uma espécie de rubrica teatral ou instrução de adestramento. • Esse recurso animaliza e desumaniza a figura do "patriota" subserviente, reduzindo-o a um cão doméstico que busca agradar ao dono (neste caso, o movimento supremacista/conservador americano MAGA, de Donald Trump). 4. Crítica Doméstica: A "Familícia" e as Contradições Morais (Estrofes 7 a 10) - O poema adentra os escândalos e pautas do cenário político interno do Brasil recente: • Hipocrisia Moral: O neologismo "familícia" (fusão de família e milícia) ataca diretamente a moralidade do discurso conservador, contrastando a defesa da "família tradicional" com práticas corruptas ou degradantes ("orgias sagradas", "putaria fudida"). • Denúncias Práticas: O eu lírico enumera escândalos reais e espinhosos da história política recente: a compra de imóveis com "dinheiro vivo", a facilitação de armas (inclusive o perigo da armamentização infantil), o sucateamento das universidades e o ataque às instituições democráticas ("fogo na constituição"). • Aliança com o Mercado: O termo "Amante dos banqueiros / Servidão voluntária" critica a política econômica neoliberal que, na visão do autor, beneficia o topo da pirâmide financeira enquanto atua como "coveiro profissional" do restante da nação. 5. Conclusão e Apelo à Ação (Última Estrofe) - O poema encerra abandonando a mera descrição satírica e adotando um tom de manifesto ou convocação. Ao usar a primeira pessoa do plural ("Seremos", "criaremos"), o eu lírico inclui o leitor e a sociedade na tomada de decisão. A escolha é binária e moral: a cumplicidade passiva com a "sujeira" ou a reação ativa de "colocar o lixo pra fora" (uma metáfora para a faxina política ou revolução popular). Resumo Estilístico - • Tom: Agressivo, sarcástico, indignado e febril. • Linguagem: Coloquial, direta, com uso deliberado de termos escatológicos ou vulgares para chocar e transmitir repulsa ("podridão", "putaria fudida", "lixo"). • Intertextualidade: Dialoga diretamente com o noticiário político brasileiro contemporâneo e teorias críticas do imperialismo.
  • Categoria: Sociopolítico
  • Visualizações: 34
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Zapata Pancho, Günnar Görak, Sir. Demétrius Corderoy
  • Em coleções: Zumbido Coletivo.


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