Somente quem
caminhou no inferno,
sabe apreciar o paraíso.
-
E caminhamos
descalços,
aterrorizados.
-
Em nosso
próprio mundo
somos estrangeiros,
-
tudo
que pensamos
possuir,
-
inevitavelmente
nos escapa
pelos dedos,
-
a única coisa
que possuímos
é o sopro pulsante
da vida,
-
por alguns
instantes
efêmeros,
-
flamejantes,
passageiros.
-
Num mundo
repleto de pessoas
importantes,
-
é um sentimento
reconfortante
não ser ninguém.
-
Somente quem
atravessou o inferno,
sabe o preço do paraíso.
-
[Michel F.M. - Revolesia]
Nesse caos existente nem tudo
que brilha é ouro
quem tem luz própria
incomoda quem está
na escuridão
é nessas horas que muitos
vendem luz por uma iluminação
É na simplicidade da vida que está a saída
tudo está no ar
não precisa ser gênio
com bons atos e coração nobre
no topo da hierarquia pode-se chegar
O Sentir da Existência
No nascer do sentimento humano,
Respeito vem antes do puro amor,
Episódio ante a dor do desengano,
Amor e o ódio vistos com louvor.
Na dura expressão da natureza,
Traz uma vida cheia de mistérios,
Na luz que esvai-se nossa fraqueza,
O tempo se impõe sobre tons austérios.
O inferno não provém de algo maior,
Não fundamenta essa evolução,
Para sentir o propósito melhor.
A fé no amanhã traz toda emoção,
Conquista, jamais termina pior,
E guia o passageiro sem reação.
-Jorge E. Leal
O Boêmio Anônimo
Diante da soberania divina,
Eu sou como a teia de aranha,
No lustre desta morada estática,
Incolor na tarde que declina.
Faço dos meus dias solidão,
A Deus peço licença e perdão,
Em constante marasmo me deito
Para afastar paixões do peito.
Não busco os bares movimentados
Desta selva que os homens planejaram;
Meus passos já foram cansados
Pelas pedras que eles empilharam.
Prefiro o ranchinho do interior,
O caldo de cana, o silêncio, o sabor.
Sou um boêmio sem nome ou glória,
Servindo camaleões na história.
Meus amigos são poucos, raros,
Escolhidos a dedo pelas mãos calejadas.
Neste plano de caminhos avaros,
A honestidade vive nas emboscadas.
Meu cotidiano é um espetáculo menor:
Um sorriso amarelo, impopular,
Casa-trabalho, o peso do suor,
A dura responsabilidade de respirar.
Mas bendigo a natureza rara,
Bendigo o pássaro que se liberta.
A liberdade fascina e sara,
Mesmo na cidade cinza e deserta.
Acredito que Deus quer transformar
Nossa vida em sonhos permitidos,
E alguns trajados de anjo irá chamar
Para povoar os cantos esquecidos.
Medito, então, enquanto o mundo gira:
Preciso de mais dinheiro? Até que ponto?
Se sou um pingo onde a terra respira,
Qual pão não mata a fome do confronto?
Por que a dor sempre volta ao mesmo chão?
Por que o humano muda de cor e de feição,
Como o camaleão diante da humildade?
Será que fomos anjos de verdade?
Olho a foto da criança de dois anos,
E vejo o épico momento da alegria,
Distante dos nossos cinzentos planos,
Onde a escassez de humanidade fia.
O ser humano ama o que está ausente,
Num mistério de esperança e bem-estar.
E se entrega de coração à gente,
Para depois a punhalada aguentar...
Mas pergunto na noite que esvazia:
Resistirá o amor à agonia?
[ de CORASSIS ]
AMAR NÃO É...
Amar não é fazer tudo que o outro quer,
nem anular a própria voz e o próprio ser.
Não é moldar-se ao bel-prazer de quem se ama,
nem apagar a própria chama para o outro aquecer.
Em subindo a montanha senti o cansaço fadigando os músculos
Toda dor justificava o anelo de chegar ao cume, e lá estando receber a luz
Luz do alto me fazendo enxergar a significância do todo n'uma pequenez inerente ao Ser
Luz está onde nenhum templo de promessas poderia ter
Claridade ofuscando a escuridão que esconde a verdade de cada um
De tão intenso o clarão causado pela luz que se pôde ver os eus infernais, o gigante das ilusões
Por mais que quisera manter a importância de ser um Ser competitivo em meio aos demais
Querendo passar pelo tempo à conquistar bens e poder, a luz me tiraria as vontades
Esta luz não se compra, o preço que se paga para te-la é o de ter estado na escuridão
Sentindo medos, ansiedades e absorvendo as dores
E então compreender que está é a luz essencial, a luz da iluminação
Claudio Reis
Quando nos vemos em sofrimento
Por dores existênciais
É comum questionar
Quem realmente somos?
É no momento da dor
Que enfrentamos nossos medos
E buscamos de alguma forma
Compreender e nos fortalecer
Evitando enlouquecer.
Ao enfrentar nosso verdadeiro eu
Encontramos respostas
Que nos impulsionam a voltar
De nosso momento infernal
Com uma força fenomenal
Gerada por nossa iluminação pessoal.
E assim seguimos leves ao perceber
Que os ciclos sempre se renovam
E que para iluminar
A escuridão se deve enfrentar.
Paraiso distante mais perto
no vale das sombras
um pingo de luz
iluminaria a alma fria
so, quem perdeu
valoriza o ganho
numa fresa escapa
reluzentes raios
escassos feixes
de me a luz
que lhe mostro a iluminação
sem sombras
límpida como a propria luz
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, CORASSIS, Vilma Oliveira , Claudio Reis, Samara A. Ferreira, Imagno Velar
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 15 de outubro de 2026 16:23
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- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Vende-se Luz em troca de Iluminação" é uma profunda reflexão existencialista sobre desapego, impermanência e a busca por paz interior através do sofrimento. O título já antecipa o tema central: a troca da "luz" comercial, superficial ou externa, pela verdadeira "iluminação" espiritual e filosófica, que não pode ser comprada, apenas vivenciada. Aqui está uma análise detalhada dos principais temas e da estrutura da obra: 1. A Dialética do Sofrimento (O Inferno e o Paraíso) - O poema abre e fecha com uma estrutura cíclica que serve como tese e conclusão da obra. • A primeira estrofe afirma que o paraíso só é apreciado por quem conheceu a dor ("caminhou no inferno"). • A última estrofe substitui o verbo "apreciar" por "sabe o preço". Isso transforma a dor em uma moeda de troca existencial: o sofrimento e a vulnerabilidade ("descalços, aterrorizados") são o custo real para se alcançar a verdadeira paz e clareza mental (a iluminação). 2. O Desapego e a Impermanência - O eu lírico explora a fragilidade da condição humana e a ilusão de controle: • Alienação: Ao dizer "Em nosso próprio mundo somos estrangeiros", o poema evoca o conceito de absurdo e deslocamento. Não pertencemos ao plano material. • Impermanência física: A imagem do que pensamos possuir escorrendo "pelos dedos" reforça que o acúmulo material ou o apego ao ego são ilusões. • A efemeridade da vida: A única posse real é o "sopro pulsante da vida". O uso de adjetivos como efêmeros, flamejantes e passageiros contrasta a intensidade da vida (o fogo, a chama) com a sua brevidade. 3. A Redenção no Anonimato (O "Não Ser Ninguém") - Uma das viradas mais bonitas do poema ocorre na penúltima estrofe. Em uma sociedade obsessiva por status e aparências ("Num mundo repleto de pessoas importantes"), o eu lírico encontra alívio no oposto: • "Não ser ninguém" não é colocado como um fracasso, mas sim como um sentimento reconfortante. • Libertar-se da necessidade de ser "importante" aos olhos do mundo é, em si, o ápice da iluminação proposta pelo título. É o desapego final do ego. Estrutura e Ritmo - O poema utiliza versos livres e curtos, quase como gotas de pensamento ou respirações pausadas. Essa quebra constante de linhas gera um ritmo lento e meditativo, forçando o leitor a digerir o peso de cada palavra (como "descalços", "aterrorizados", "efêmeros").
- Categoria: Reflexão
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- Em coleções: Zumbido Coletivo.
