Processo eleitoral
Sujo e barulhento,
-
Abstinência recorde,
Brancos, nulos, inválidos,
-
Votação esmagadora,
Vitória incontestável.
-
Ninguém conhecia
Tuas propostas,
-
Mas pelos descalabros
Que reverberavam
-
Do palanque, o estrago
Já era garantido.
-
[Michel F.M.]
CLEPTOMANÍACO
Com o nove, escrevo sem medo:
C-O-R-R-U-P-Ç-Ã-O!
E logo desvendo seu segredo:
C-O-R-R-U-P-T-O-R?!
Não dá mais pra manter o erro;
B-O-N-A-C-H-Õ-E-S...
Aguardem o momento do enterro,
L-A-R-A-P-I-Õ-E-S.
Se chegar ao número nove, sorte!
F-A-N-F-A-R-R-Ã-O...
Mas o barqueiro justo da morte,
O aguarda, sedento por moedas.
Ku… V-E-R-M-E-L-H-Ã-O,
O bonachão ladra, futuras quedas...
- Por Julian Lael
Poesia Pandêmica
-
Teu sorriso esfacelou,
Tua esperança esfacelou,
Teu sonho esfacelou,
Ela não vai voltar.
-
Não foi o vírus que a matou,
Foi o desprezo pela vida,
De quem nem mesmo a conheceu.
-
Não conheceu os teus amores,
Não conheceu as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama lutadora a flamejar.
-
Tua missão esfacelou,
Teu projeto esfacelou,
Tua presença esfacelou,
Ela não voltará.
-
Não foi o vírus que a matou,
Foi a tolice desmedida,
De quem negava o inegável.
-
Quem a matou não se deu conta,
Que a negligência contamina,
Não há vacina, pra estupidez.
-
Ele nem mesmo a conhecia
E suas inofensivas idas e vindas,
Ceifaram vidas, arruinaram vidas.
-
Não me recordo dos teus nomes,
Nomes demais pra recordar,
Nomes demais pra mencionar.
-
Mas conheci os teus amores,
Eu conheci as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama, lutadora, a flamejar.
Duelo de Versos
E não se sabe ao certo,
Quem é o dono da razão;
Se visto o embate correto,
Seja o poema em questão.
Por trás das palavras, etc. e tal...
De trás dos poemas assim,
Versos e intersecções do mal...
Por bem, somos carne afim.
Não se sabe se vale a pena;
No fim, nada sabemos disso.
Se se pudesse, me condena!
O certo é que somos visão:
Um ponto de vista da cena,
Simples pedaço de emoção.
Por: Jorge E. Leal
Naquela decisão de direita
e esquerda o voto recocheteou
foi para o eleito do momento
novos projetos estão em plano
novas estratégias estão por vir
que vença os melhores
quem decide é o povo
nesta guerra fascinante
não se agrada Gregos e Troianos
Vamos lutar apenas pela Democracia
um direito garantido a todos.
Salmos para Exorcismos Vespertinos
-
Cidadão-de-bem,
Eleitor de direita,
Conservador, religioso,
Defensor dos valores,
Da moral e da família.
-
Antiabortista,
Antiesquerdista,
Reacionário Pró-Vida,
Torturador,
Entusiasta da pena de morte.
Corrupto e Corruptor.
-
Certamente machista,
Racista, feminicida,
Homofóbico,
Transfóbico,
Fascista.
-
NEGACIONISTA,
Sociopata, genocida,
Patriota armado,
Esquizofrênico,
Terraplanista.
-
Espécime abundante,
Encontrado
Em diversas localidades,
Facilmente erradicável
Com doses moderadas
De razão.
-
Conhecido
Pelo nome científico
VotusEnfiadusnosCus.
-
É a única
Subclasse dos primatas,
Que se alimenta de fezes
Por prazer e/ou vontade própria.
Greta da Escuridão
Pela greta só via noite,
Sem nenhuma lucidez.
Luz apagada no açoite,
A lua esconde a timidez.
Não há diferença se faz
À noite ou na escuridão:
Vil misancene contumaz,
A simples e inútil emoção.
Singra nos mares bravios,
Em busca de sei lá o quê,
Só para acender os pavios.
Depois retorna, à sua mercê,
Com mais resultados vazios,
Para de novo fazer o seu pavê.
- Jorge E. Leal
Kalanchoê
-
o inferno
é sempre particular
e todos os demônios
vivem dentro de nós.
-
seria tão fácil
se todo dilema
só fosse pessoal.
-
mas de indivíduo
em indivíduo,
o problema coletivo,
nalgum momento
transpassa o individual.
-
observando impactos
ambientais, há previsão
de outro dia nublado,
no crepúsculo social.
-
e os ventríloquos
do neoliberalismo,
implementando
a repugnante agenda
do capital.
-
uma flor brota,
brutalmente pisoteada.
-
até que a última
gota de sangue
dos seres viventes,
seja sugada enfim,
afinal.
-
Escuta:
Desperta-te,
Levanta-te,
Liberta-te
e Luta.
-
[Michel F.M.]
Promessas esquecidas,
Esperanças cassadas,
Consciências vendidas,
Democracias hipotecadas.
Nos bastidores, o silêncio,
Nas tribunas, o discurso;
Disfarça-se o interesse,
Enquanto se inverte o curso.
Memórias de um Bobo da Corte
-
Nos salões dos reis e rainhas,
Incrustados de pedras preciosas,
O ouro brilha reluzente,
Banhado por sangue inocente,
Que ninguém ousou contestar.
Entre as valsas, falsas risadas,
Entre os brindes, terror disfarçado.
Aos ogros só resta o pântano,
Afundados no esgoto real.
Os anões extraindo esmeraldas,
Diamantes de valor sem igual.
A coroa carrega o glamour
Dos milhões que morreram sem pão,
Pra manter fantasioso padrão,
Da indecente e podre ilusão.
Cada respiro de um rei,
Celebra a morte de alguém,
Que continuará a morrer em vão.
-
[Michel F.M.]
DEU UM TIRO PRO ALTO
E A BALA VOLTOU
FOI UM RICOCHETE
A BALA ERA DE COBALTO
ELA ATÈ BERROU
NA PRÓXIMA VEZ, VOU USAR UMA BAIONETA
Panóplia Literária
A bandeira municipal
discute com a bandeira estadual
qual delas é capaz de bater
a bandeira nacional.
Enquanto isso a Constituição Federal
tira ouro no lombo do cidadão.
-Jorge E. Leal
Pela estrada afora eu vou bem faminto
-
podem até
me chamar
de sentimental,
-
mas a verdade
é que eu fico
emocionado,
-
quando vejo
um governo
neoliberal,
-
destruindo
todos os direitos
fundamentais
da população,
-
que com muito
sangue jorrado,
foram duramente
conquistados.
-
perversos homens
engravatados, de paletó,
armados aos dentes
com tinta dourada,
-
pesa a pena
hoje e mata,
ao longo de
toda a estrada.
-
hoje a pena
pesa e mata,
muito mais
que a espada.
-
ouve o sussurro
na escuridão:
-
como o direito
à vida,
como o direito
à igualdade,
-
como o direito
à justiça,
o direito à liberdade,
eu como.
-
no final eles comem tudo
e a culpa é do lobo mau.
-
[Michel F.M. - Revolesia]
Pois hoje a fé que move o retirante
Esbarra na muralha do palácio,
Onde a miséria vira o gás constante
Que infla o balão de um plano tecnocrático.
Não dão o pão, mas vendem a promessa,
E o chão rachado que o romeiro pisa
É o mesmo chão que o poderoso preza
Pra cultivar a dor que o oficializa.
Criaram a política do escasso,
Onde a ilusão é a moeda corrente,
Amortecendo a força do estilhaço
Pra governar o corpo e a mente.
Se o peregrino já não crê em nada,
Se aceita o jugo e aceita a própria herança,
Eles decretam, na tribuna armada,
O império frio da desesperança.
Mas mesmo envolto em leis e em decretos
Que tentam sufocar o que nos resta,
Abaixo desses tetos incompletos
O peito do oprimido ainda contesta.
A máquina descansa sobre o medo,
Mas o devoto dobra a sua aposta:
Descobre que andar livre é o segredo,
E a caminhada em si é a resposta
[ de CORASSIS ]
Que vença o melhor!
Já pensei assim no passado
Mas desta vez
Não, tem como não.
A humanidade está um caos
Poucos estão despertos
E o que dormir no ponto
Coloca em risco o Todo.
De um lado a "liberdade"
Do outro a desigualdade
Misturado com tudo o que há de ruim
Para qualquer sociedade.
Parece que estamos no abismo
Esperando uma ponte aparecer
Mas ela será erguida
Pelos votos que irão eleger.
Não sabemos se a ponte será firme
Ou se cairemos no abismo
Mas espero que a Liberdade vença
Para com ela voarmos juntos.
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Lux tenebris, credence, CORASSIS, Samara A. Ferreira
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 11 de outubro de 2026 05:32
- Limite: 15 estrofes
- Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Ricochete" apresenta uma crítica social e política afiada sobre o cenário democrático contemporâneo. A obra explora o desencanto do eleitorado, a superficialidade das campanhas e as consequências de escolhas baseadas na rejeição, justificando o título através do efeito de "bumerangue" ou "ricochete" na política. Abaixo, apresento uma análise detalhada estruturada pelos principais eixos temáticos do poema: 1. A Crise de Representatividade e o Desencanto - A primeira metade do poema estabelece o cenário de uma eleição desgastante e a resposta do público a ela. • "Processo eleitoral / Sujo e barulhento": O eu lírico sintetiza a atmosfera das campanhas modernas, frequentemente marcadas por ataques pessoais, poluição visual/sonora e falta de debate programático. • "Abstinência recorde / Brancos, nulos, inválidos": Reflete o ápice da apatia ou do protesto do eleitorado. Quando a política se torna "suja", uma parcela massiva da população escolhe o silêncio e a recusa em validar o sistema. 2. A Vitória da Rejeição (O Paradoxo Eleitoral) - O miolo do poema constrói a ironia central da narrativa: • "Votação esmagadora / Vitória incontestável": Há um contraste direto com a estrofe anterior. Mesmo com um número recorde de pessoas se abstendo ou anulando, quem votou o fez de forma massiva em um único lado. • "Ninguém conhecia / Tuas propostas": Revela o voto desinformado ou puramente emocional. O candidato vencedor não foi escolhido por seus planos de governo ou competência técnica. 3. O Efeito Ricochete e o Desfecho - A última parte explica a engrenagem que moveu essa eleição e o motivo do título do poema: • "Mas pelos descalabros / Que reverberavam / Do palanque...": O termo "descalabros" sugere absurdos, escândalos ou discursos violentos vindos da oposição ou do próprio sistema político tradicional. O eleitorado reagiu ao choque provocado pelo palanque adversário. • "...o estrago / Já era garantido.": O voto foi dado não a favor de algo, mas contra o "descalabro" do outro. O termo "Ricochete" se consolida aqui: a violência e o discurso de ódio venceram qualquer proposta ou projeto coerente para o povo. O poema termina de forma pessimista, indicando que o voto de revolta, só irá punir a própria população e o resultado final ("o estrago") é inevitável para a sociedade.
- Categoria: SociopolÃtico
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- Em coleções: Zumbido Coletivo.

Comentários1
Não consegui participar, mas deixo algo a partilhar:
Dizem que é nas urnas que podemos mudar o mundo,
Que um voto consciente transforma o futuro.
Apontam os corruptos, posam de justiceiros,
Mas, quando a vantagem aparece diante dos olhos,
Esquecem seus princípios e se tornam trapaceiros.
O voto é uma arma, a consciência é o caminho,
Mas nenhuma mudança floresce no desalinho.
Não basta escolher alguém e exigir honestidade,
Se não plantamos em nós a semente da verdade.
A corrupção não nasce somente no poder,
A desonestidade também caminha ao nosso lado.
Como exigir justiça de quem governa a nação,
Se, diante de um caminhão tombado na estrada,
Há quem esqueça a decência e a honestidade,
E aproveite a ocasião.
Nas lojas itens nas bolsas são colocados, e etiquetas de preços trocados.
Também cresce nas escolhas que fazemos sem perceber.
E nesse palco de espelhos onde o erro é partilhado,
O debate político se mostra mascarado.
Não se discutem metas, projetos ou melhorias,
Apenas trocam insultos e velhas hipocrisias.
O plano de governo é esquecido no chão,
Enquanto o ataque covarde alimenta a multidão.
Ganha aplauso quem grita, quem fere, quem deprime,
Nesse circo de ofensas que a proposta suprime.
Pois o povo que assiste e aplaude a agressão,
Esquece que a ofensa não traz a solução.
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