ATRAVESSANDO

Ayalah Verônica Berg

 

Com pressa de amazona,
atravesso o mundo — calma,
como se devesse revistar
cada ex-amor.
 
Saem dos túmulos, apressados,
os que quase amei.
 
A infância foge. A mulher fica.
Os olhos verdes do anjo
seguem-na: puro orgulho.
 
Correr não chega.
Amar é chamar quem não vem.
 
Cada passo, uma traição pequena.
O fundo do poço tem espelho.
 
O mundo não julga.
Continua. Nós também.
 
Nada se resolve.
Tudo se gasta.
 
Quando tudo cai,
o vazio tem braços.
 
A tarde não promete.
Jogo moedas no vício velho.
 
Aceito o começo do fim
como um gole amargo:
sem brinde,
sem ilusão. 
 
 
Atravessando 
 de Ayalah Verônica Berg

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de outubro de 2026 13:43
  • Comentário do autor sobre o poema: "Atravessa-me / como quem cruza um espelho. / Que importa se o chão se dissolve em açúcar? / Se meus olhos são janelas para lugar nenhum? / Entrem, meus mortos. / Tragam vosso bolor. / A mesa está posta com vossos ossos, antigos amantes. / Bebam o vinho — / o sangue de meus dias de fúria." –Verônica Berg
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 10
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Versos Discretos, CORASSIS


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