Com pressa de amazona,
atravesso o mundo — calma,
como se devesse revistar
cada ex-amor.
Saem dos túmulos, apressados,
os que quase amei.
A infância foge. A mulher fica.
Os olhos verdes do anjo
seguem-na: puro orgulho.
Correr não chega.
Amar é chamar quem não vem.
Cada passo, uma traição pequena.
O fundo do poço tem espelho.
O mundo não julga.
Continua. Nós também.
Nada se resolve.
Tudo se gasta.
Quando tudo cai,
o vazio tem braços.
A tarde não promete.
Jogo moedas no vício velho.
Aceito o começo do fim
como um gole amargo:
sem brinde,
sem ilusão.
Atravessando
de Ayalah Verônica Berg