então
com a voz meio
engasgada,
encarando o nada,
-
ela disse,
enquanto mastigava
alguma coisa:
isso foi
um grande erro.
-
em contrapartida
de maneira eloquente,
escorado no batente,
ele respondeu:
-
certamente,
este foi
um erro crasso,
-
de proporções
estupendas
e desdobramentos
radicalmente estúpidos.
-
e digo mais,
é provável
que tenha sido
-
ao mesmo tempo,
o maior e o pior
de todos os erros.
-
[Michel F.M.]
Vem amor, pense na vida como uma pirueta
Mas no final adquiriremos toda a habilidade
Vamos treinar, como num beijo profundo, em um cotidiano as vezes importuno e sem delicadeza
Vamos ser como experientes gatos na vida,
Mas nunca gatunos!
Vamos seguir, bons vida, alegremente
Seremos humildes , seremos clementes...
Daremos saltos sobre os muros do medo,
Cuidando um do outro, desvendando o segredo.
Se a noite cair fria e o vento soprar forte,
Nosso abraço será o nosso norte.
Olharemos o mundo do topo do telhado,
Com a paz de quem ama e vive acordado.
[de CORASSIS]
ela baixou
os olhos,
como se ainda
procurasse
alguma maneira
de tornar
aquilo menos
absurdo.
não encontrou.
ele, por sua vez,
permaneceu
escorado no batente,
aparentemente
conformado
com a dimensão
da catástrofe.
havia algo
quase cômico
naquela constatação:
dois errantes,
tantos caminhos,
e justamente
aquele,
entre tantos,
foi o escolhido.
-tória
VAMOS, MEU AMOR
VAMOS NADAR NESSE MAR DE ILUSÕES
DE UM AMOR VERDADEIRO,SÒLIDO E CHEIO DE EMOÇÕES
PORQUE TEMOS A VIDA DE UM PECADOR
ESTOU INDO, QUERIDA
ESTOU TÃO APAIXONADO
E VENDADO
PRA IGNORAR NOSSA PÉSSIMA VIDA
VIDA DE MENTIRAS
DE SUBMISSÃO
DE AUTODESTRUIÇÃO
EM BREVE VIRARÁ UMA TEMPESTADE DE IRAS
Não quero mais seus olhos
Nem tuas mãos
Nem tua boca
Não quero que me toques
Que me cheires
Que me beijes
Foi um erro
Vários erros
(Choram os dois)
É preciso dar adeus
Recalcular a rota
Perdeu-se? Não adianta reclamar,
Deixe a mágoa, nenhuma cobrança,
Sei onde estou e sei aonde chegar,
Pare, reflita, e pondere na balança.
Pese o valor de toda a sua vivência,
Pois ele é um pássaro tão precioso,
Não chore mais, lágrima e lamento,
Seu posicionamento torna penoso.
A saúde mental mui onerosa,
Recalcule a sua rota mais vital,
Então, siga a vida despretensiosa.
Aceite o erro, esqueça toda a dor,
E siga firme em seu papel central,
No compasso, rumo ao sóbrio amor.
- Dodge Leal
Posso ter sido errante em inúmeros feitos
mas foram através dos erros que aprendi
se tudo fosse certo de uma certa forma
eu não estaria nem aqui
outros caminhos eu teria trilhado
e eu fosse mais alguém que nada
tenha vivido além do tradicional
imposto para quem não soube se arriscar
A vida está aí pra ser vivida
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, CORASSIS, Tória, credence, Con Moisés , Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Rosangela Rodrigues de Oliveira
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 8 de outubro de 2026 06:19
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- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Errantes e teus inúmeros feitos" apresenta um diálogo curto, seco e carregado de ironia entre duas personagens sem nome ("ela" e "ele") sobre a constatação de um erro compartilhado. A força do texto reside no contraste dramático entre as reações e a linguagem de ambos. Aqui está uma análise detalhada dos principais elementos do poema: 1. O Contraste das Atitudes e Linguagens - O poema é construído sobre uma oposição clara de postura, tom e vocabulário: • A reação dela: É visceral, cotidiana e informal. Ela está com a "voz meio engasgada", o que sugere uma mistura de engasgo físico (pois está comendo) e emocional (o peso da ficha caindo). O ato de falar "enquanto mastigava alguma coisa" confere uma crueza quase banal à cena. Sua conclusão é direta e simples: "isso foi um grande erro". • A reação dele: É performática, racionalizada e rebuscada. Ele responde "de maneira eloquente" e em uma postura física de distanciamento ou desleixo calculado ("escorado no batente"). Em vez de acolher a simplicidade do sentimento, ele intelectualiza a situação, escalando o erro verbalmente: de "grande erro" para "erro crasso", "proporções estupendas", "desdobramentos radicalmente estúpidos" e, finalmente, "o maior e o pior de todos os erros". 2. Teatralidade e Ironia - Há uma forte carga teatral no poema. A quebra dos versos curtos dita um ritmo pausado, quase cinematográfico, onde o leitor consegue visualizar os silêncios e os gestos. A ironia se destaca na fala dele. Ao usar termos inflados e redundantes ("proporções estupendas", "radicalmente estúpidos"), ele parece tentar dominar a narrativa do fracasso por meio do intelecto ou do cinismo, mascarando o impacto emocional que ela, de forma mais vulnerável, demonstrou ao encarar o nada. 3. O Mistério do "Erro" - O poema se recusa a nomear qual foi o erro cometido. O título sugere que eles são "errantes" (aqueles que vagam ou aqueles que erram frequentemente) e que este é apenas mais um de "teus inúmeros feitos". Essa omissão universaliza o texto: o erro pode ser o fim de um relacionamento, uma decisão profissional ruim ou uma escolha moral duvidosa. O foco não é o acontecimento em si, mas a ressaca psicológica de lidar com o estrago. 4. Estrutura e Ritmo - A estrutura em versos livres e curtos amplifica a sensação de fragmentação e o peso das palavras individuais. O uso de rimas ocasionais e internas (como engasgada / nada, eloquente / batente / certamente) cria uma musicalidade sutil que contrasta com a crueza do tema, funcionando quase como um deboche poético da própria situação trágica.
- Categoria: Reflexão
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- Em coleções: Zumbido Coletivo.
