Há um rumor nos dias vazios,
um tremor que não se confessa.
Finjo que é brisa. Olho devagar.
O sol se repete, o mar balança,
e as ondas quebram, frias, em série.
Ele dorme ao meu lado:
cabelo prateado, fado antigo.
Talvez seja amor — a vontade em ensaio,
um poder que não tem referência.
A poeta morde o lábio.
Quem é mais ingênua? A ilusão, ou eu?
Sob o lençol, minha paciência tem dentes.
Tua respiração me roça: mel e lâmina.
Ninguém acorda.
Deixo o desejo subir — fome mansa, brasa cega.
A carne reza baixo o que a boca cala.
Um pouco de êxtase, muito querer.
Se a loucura espreita, que espere.
Quero silêncio... do contrário, dispenso.
A noite é curta, e o impossível me acende.
Na escuridão e nos lábios, invento tudo.
Sorrio e prossigo,
como quem finge não gostar de pular no abismo.
Do Lençol ao Abismo
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 1 de outubro de 2026 06:10
- Comentário do autor sobre o poema: "Enquanto os homens assistem futebol, bebem, pescam e olham para a nossa bunda, nós, mulheres, pensamos em nós mesmas, nos concentramos, estudamos, fazemos ginástica, decidimos se os aceitamos, se os expulsamos, se os trocamos, se os matamos ou simplesmente os enganamos." –Verônica Berg
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 11
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Michel F.M., Morlock, Queiroz Francisco, CORASSIS

Offline)
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