Trevosa

Ayalah Verônica Berg

 

Talvez não amanheça.
Talvez tudo tenha sido
um ensaio do vazio.
 
Quem decide?
Eu, que me sirvo o veneno
em taça de silêncio.
 
A voz quer sair.
Eu a amordaço com versos.
Ela sangra em mim.
 
O espelho ri.
Cuspo sangue sobre o vidro.
O vidro não mente.
 
Amanhã? Pular, talvez.
Mas a noite é minha amante
e não me solta.
 
Morrer pelas próprias mãos—
que final tão perfeito.
Quase um poema.
 
Quase.
 
 
Trevosa 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de setembro de 2026 08:43
  • Comentário do autor sobre o poema: Trevosa, escrevi em 2022. Então, "A pergunta mais dolorosa, mais angustiante, que vem do fundo do meu coração: onde posso me sentir em casa?" –Friedrich Nietzsche
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 7
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, CORASSIS


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