Talvez não amanheça.
Talvez tudo tenha sido
um ensaio do vazio.
Quem decide?
Eu, que me sirvo o veneno
em taça de silêncio.
A voz quer sair.
Eu a amordaço com versos.
Ela sangra em mim.
O espelho ri.
Cuspo sangue sobre o vidro.
O vidro não mente.
Amanhã? Pular, talvez.
Mas a noite é minha amante
e não me solta.
Morrer pelas próprias mãos—
que final tão perfeito.
Quase um poema.
Quase.
Trevosa
de Ayalah Verônica Berg