Fogueira Eterna – O Batismo da Luz

Francisco Claudio Claudio Gia

Fogueira Eterna – O Batismo da Luz

Claudio Gia, Macau RN, 24/06/2026

Nas margens do Jordão, onde a água se faz verbo,
nasce o precursor, voz que clama no deserto:
“Preparai o caminho!” Eco que ainda ressoa
nas noites de junho, quando o Nordeste se ajoelha.

Não é mera data no calendário dos homens,
mas um limiar cósmico entre treva e revelação.
São João, o mais próximo de Cristo em essência,
mergulha o tempo no fogo purificador da fogueira.

Arde a lenha ancestral, símbolo do coração
que se consome para que a luz maior resplandeça.

Nas quadrilhas, o giro circular imita os astros,
ordem cósmica dançada em pés descalços sobre a terra.

Milho, rainha dourada dos campos seculares,
transmuta-se em pamonha, canjica, bolo –
sacramento pagão-cristão da abundância e da humildade,
onde o simples se eleva à mesa da comunhão universal.

Trajes típicos não são disfarce, mas armadura da memória:
xadrezes que guardam o padrão das constelações antigas,
chapéus de palha que protegem a fronte do pensador
que vê, na fogueira, o mesmo fogo que queimou os profetas.

Em Pernambuco e Alagoas, o feriado se faz rito coletivo;
em Macau, o Rio Grande do Norte escuta o mesmo chamado.

Não é folga vazia: é pausa sagrada para que o homem
se batize novamente nas águas da própria cultura.

Ó João, eterno vigilante da aurora,
guarda em nós a chama que não se apaga.
Que cada quadrilha seja uma prece em movimento,
e cada fogueira, um altar onde o tempo se renova.

  • Autor: Claudio Gia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 24 de junho de 2026 09:07
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
Comentários +

Comentários1

  • Rodrigo Melo

    Bem inteligente e arquitetado. Muito belo.



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