#O ventre que antecipa a aurora
Claudio Gia, Macau, RN, 31/052026
O ventre que antecipa a aurora
Não foi o acaso que juntou dois montes
— o da Judeia e o da alma que já crê.
Maria sobe ao íngreme da promessa
e encontra, ao fim da estrada, outra mulher.
Isabel, de ventre já cansado,
guarda um fogo que salta e reconhece.
A voz da prima dobra-se em espanto:
"Donde me vem que a Mãe do meu Senhor
me visite? Pois logo que o teu eco
soou em meus ouvidos, a criança
exultou dentro em mim como um cordeiro
que adivinha o pastor antes da luz."
Então Maria não recita: gera
um cântico que rasga as leis do tempo.
Não é memória, é profecia ativa:
derruba os fortes, ergue os humilhados,
enche os famintos de uma fome nova,
despede os ricos nus de seus espólios.
Ali, no entrelaçar de dois silêncios,
a visita se faz Eucaristia:
uma entrega que antecipa a Cruz,
um serviço que ignora hierarquia,
um ventre que carrega o céu a pé.
Por isso a Igreja, ao findar de maio,
põe no ápice do mês este encontro.
Não por cronologia, mas por teologia:
para que a coroa, ao baixar nas frontes,
não seja enfeite, mas memória ativa
de que o sagrado mora na subida,
na estrada empoeirada, no cuidado
que se curva e se faz irmão do mundo.
Eis a visitação, eis o Magnificat:
Deus não desce no templo, sobe em Maria.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 31 de maio de 2026 13:57
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

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