(Soneto) Íris Consternada

lobosiqueira

Íris, tão moça aos quinze em bela vida, 

Um Olhar alegre sempre que viesse,

Até o findar da festa de quermesse,

O trauma que abrolhou, hoje inda lida...

 

Nas ruas vê a candeia vã, infida,

À tênue luz espinha se estremece,

Bradar nasce afogado então perece;

Jaz sob os seios alma aturdida.

 

No ventre, a semente germinada;

A prostração habita o lindo olhar

Em que da terra a voz foi sepultada.

 

Dói-me ver a mulher tão consternada;

P'ra lei não foi senão um deflorar,

A ela, a vida sempre condenada.

  • Autor: Lobosiqueira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de abril de 2026 19:40
  • Categoria: Sociopolítico
  • Visualizações: 15
  • Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos
  • Em coleções: Sonetos.
Comentários +

Comentários1

  • Arthur Santos

    Este soneto aborda a temática da violência sexual e o subsequente trauma psicológico e social, focando-se no contraste entre a inocência perdida e a frieza institucional.



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