Curvo-me, devoto, ante a colina de teus seios,
Nesta aurora triunfante onde a luz te reclama,
E onde outrora ruiu minha castidade em anseios.
Vem, minha Doce, revela-me a escrita desta trama:
Exibe-me as pintas, astros negros em pele de seda,
Que decoram teu colo como uma obra proibida e suprema.
Prostro-me diante da urna de teus quadris largos,
Vaso de vida onde busco o deslumbre e o abismo.
Quero sorver teus suspiros, outrora amargos,
Agora convertidos em puro e febril magnetismo.
Que o fluxo e o refluxo de teus gemidos constantes
Sejam o hino que meus lábios e palmas entoam,
Enquanto glorifico teus vales em espasmos ofegantes.
Colho, na postura do servo que em ti se encontra,
O néctar de tuas rimas, o júbilo de tua entrega.
Aproximo-me, enfim, onde a carne se afronta,
Entre o calor de tuas coxas, onde a razão se nega.
Postado diante da catedral oculta de teu pertuis,
Aquele portal sagrado que persigo em rito diário,
Busco a alma que em teus fluidos reluz.
Meus braços, em cerco, te enlaçam e te devoram,
Enquanto teus cabelos, sombras de um ébano denso,
Espalham-se em mantos que teus seios condecoram.
Vem, e colhamos o fruto deste desejo imenso:
As rosas de teus atributos, em plena floração,
A essência absoluta de tua fêmea e minha perdição.
-
Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 31 de março de 2026 19:49
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 26
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua, CORASSIS, Vilma Oliveira

Offline)
Comentários3
Ficou perfeito, igualzinho a um drone jogando pétulas de rosas branca em cima do Estreito, carregando em sua cauda, uma faixa com os seguintes dizeres.
SE FOR PELA PAZ, USA.
Venho de a muito acompanhando seus traços e quando some sempre aparece com a arte nas mãos.
Parabéns mestre poeta, ficou linda suas palavras aglutinadas.
Bravíssimo.
Apegaua
Obrigado :>)
Olá poeta! Boa noite! O autor utiliza um vocabulário religioso (devoto, prostro-me, catedral, hino, rito) para descrever o ato sexual. O corpo feminino não é apenas carne, é um templo. Essa escolha eleva o desejo físico a uma experiência espiritual e transcendental, onde a razão se nega diante do sagrado. Este poema é rico em imagens sensoriais e cromáticas. Contraste: Astros negros (pintas) em pele de seda. Textura: Ébano denso dos cabelos, néctar das rimas, fluidez dos fluidos. A construção é densa e barroca, focada na forma e na exaltação quase épica das formas femininas (colina de teus seios, urna de teus quadris). O eu lírico se coloca em uma posição de submissão voluntária (postura do servo). Há uma celebração da ruína da castidade e da perdição. Este poema busca deliberadamente o abismo do prazer. Parabéns pelo poema! Meu abraço poético!
Obrigado pelo comentário Vilma. Fico feliz quando vejo que alguém capitou a essência do que eu quis descrever.
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.