Curvo-me, devoto, ante a colina de teus seios,
Nesta aurora triunfante onde a luz te reclama,
E onde outrora ruiu minha castidade em anseios.
Vem, minha Doce, revela-me a escrita desta trama:
Exibe-me as pintas, astros negros em pele de seda,
Que decoram teu colo como uma obra proibida e suprema.
Prostro-me diante da urna de teus quadris largos,
Vaso de vida onde busco o deslumbre e o abismo.
Quero sorver teus suspiros, outrora amargos,
Agora convertidos em puro e febril magnetismo.
Que o fluxo e o refluxo de teus gemidos constantes
Sejam o hino que meus lábios e palmas entoam,
Enquanto glorifico teus vales em espasmos ofegantes.
Colho, na postura do servo que em ti se encontra,
O néctar de tuas rimas, o júbilo de tua entrega.
Aproximo-me, enfim, onde a carne se afronta,
Entre o calor de tuas coxas, onde a razão se nega.
Postado diante da catedral oculta de teu pertuis,
Aquele portal sagrado que persigo em rito diário,
Busco a alma que em teus fluidos reluz.
Meus braços, em cerco, te enlaçam e te devoram,
Enquanto teus cabelos, sombras de um ébano denso,
Espalham-se em mantos que teus seios condecoram.
Vem, e colhamos o fruto deste desejo imenso:
As rosas de teus atributos, em plena floração,
A essência absoluta de tua fêmea e minha perdição.