Conjunções celestes

Antonio Luiz

nu em pelo e ciclicamente extasiado

estendido, o horizonte espiava a Lua

deixando seu legítimo quarto celestial

ora com abdômen definido, “trincada”

ora barrigudinha, pouco lhe importava

era lânguida, de esférica sensualidade

e se havia ali timidez, ela não lhe cabia

o que se via eram umas crateras vazias

entranhas em que o Sol não adentrava

 

em seu amor platônico e desmesurável

contorcia-lhe o desencontro tão eterno

e encolerizava-se em raios descomunais

mas tamanho era documento amarelado

de nada lhe servia para tê-la, a energia

então acabava indo ter com o horizonte

e no ocaso lá se punha, absorto, sob ele

e ela passava pensativa por toda a noite

refletindo, refletindo... E ainda passa!

 

-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 20/08/25 –

  • Autor: Antonio Luiz (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de agosto de 2025 14:34
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Ema Machado
Comentários +

Comentários3

  • Antonio Luiz

    Sol, Lua e horizonte como personagens de um triângulo amoroso, com pitadas de ironia e certa melancolia.

  • Shmuel

    Um texto cheio de poesia!

    Excelente dia, poeta!

    • Antonio Luiz

      Caro poeta Shmuel,

      Grato pela gentileza da leitura e pelo comentário!

      Tenha um excelente dia, também!
      Um abraço.

    • Antonio Luiz

      Cara poeta Ema,

      Muito obrigado pela gentileza da visita e por favoritar o poema!

      Um abraço.



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