Antonio Luiz

Conjunções celestes

nu em pelo e ciclicamente extasiado

estendido, o horizonte espiava a Lua

deixando seu legítimo quarto celestial

ora com abdômen definido, “trincada”

ora barrigudinha, pouco lhe importava

era lânguida, de esférica sensualidade

e se havia ali timidez, ela não lhe cabia

o que se via eram umas crateras vazias

entranhas em que o Sol não adentrava

 

em seu amor platônico e desmesurável

contorcia-lhe o desencontro tão eterno

e encolerizava-se em raios descomunais

mas tamanho era documento amarelado

de nada lhe servia para tê-la, a energia

então acabava indo ter com o horizonte

e no ocaso lá se punha, absorto, sob ele

e ela passava pensativa por toda a noite

refletindo, refletindo... E ainda passa!

 

-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 20/08/25 –