nu em pelo e ciclicamente extasiado
estendido, o horizonte espiava a Lua
deixando seu legítimo quarto celestial
ora com abdômen definido, “trincada”
ora barrigudinha, pouco lhe importava
era lânguida, de esférica sensualidade
e se havia ali timidez, ela não lhe cabia
o que se via eram umas crateras vazias
entranhas em que o Sol não adentrava
em seu amor platônico e desmesurável
contorcia-lhe o desencontro tão eterno
e encolerizava-se em raios descomunais
mas tamanho era documento amarelado
de nada lhe servia para tê-la, a energia
então acabava indo ter com o horizonte
e no ocaso lá se punha, absorto, sob ele
e ela passava pensativa por toda a noite
refletindo, refletindo... E ainda passa!
-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 20/08/25 –