Parece poesia?

Shmuel

 

Parece poesia!

Passeia no escuro

Padece de sonhos

Parece equívoco

Aquilo que somos

Como náufrago

Resgato garrafas

Teu corpo me arrasta

Por ondas densas

Não sei o que pensas

Quando pensa em nós

Parecem escritos perdidos 

Os tais pergaminhos

Parece caminho 

O estreito portal

Parece prosa

As coisas que conto

Traços retas e planos 

E ponto final 

Se isto lembra poesia

Me dê um sinal…

Parece rocha

Tem gosto de sal

Ingênuo mistério 

Dos teus hemisférios 

Escorrem raras e finas paletas

Agridoces

As lágrimas em pares

Lembram pingentes de cristais

Meus lábios secos

Sedentos sorvem

Parecem insensatos 

Incansáveis famélicos

A fluidez dos anos

Traz nuances de carinho 

Carência de quem vive

Sozinho

Parece um poema!

Lembra e tem cheiro de poema em estado líquido 

Que escorre por entre os dedos

A procura por outros relevos…

É sobre o que penso ou reconheço.

E a poesia vai!

 

  • Autor: Shmuel (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de setembro de 2023 20:06
  • Comentário do autor sobre o poema: As vezes divago e fico a cismar! Então escrevo para desopilar.
  • Categoria: Fantástico
  • Visualizações: 35
  • Usuários favoritos deste poema: LEIDE FREITAS, Sinvaldo de Souza Gino
Comentários +

Comentários10

  • Vilmar Donizetti Pereira

    Parabéns pela sua belíssima poesia! Bom dia! Um abraço.

    • Shmuel

      Obrigado meu nobre poeta!

      Abraços

    • DAN GUSTAVO

      Tem forma ou é tão livre como... tem sentimento, 'cara', jeito, escrita na forma de poesia...! Então é poesia sim, Shmuca! Mandou bem!rs Um ótimo final de semana, meu irmão em letras!

      • Shmuel

        Você é demai, meu irmão em letras!
        Abraços!

      • Dr. Francisco Mello

        Mas que tal. Parece; e, pouco importa a nomenclatura, posto que belíssima.
        Parabéns, poeta. Abracito xiru. Bom final de semana, tchê.

        • Shmuel

          Você é sempre generoso com este velho amigo!

          Abraços!

        • @(ND)

          Parabéns , poeta Shimul, bela poesia, Boa tarde! Tenha um fim de semana abençoado!

          • Shmuel

            Obrigado gentil poeta!

            Abraços do amigo Shimuel!

          • Shmuel

            Querida poeta, a tua elegância aliada, a tua generosidade, torna esta página mais feliz.

            Obrigado sempre!

          • Laryssa Maiumí

            Shmuel merece mil estrelas por sua escritas, que arte ti acompanhe para sempre querido!!

          • Shmuel

            Obrigado, nobre poeta! Estamos juntos nesta bela estrada de tijolos amarelos.

            Abraços!

          • Nelson Silva Alves

            Sim parece uma poesia. é uma linda poesia parabéns poeta por sua bela poesia

            • Shmuel

              Obrigado por comentar! Estamos juntos poeta!

            • Paulo de Freitas Mendonça

              Bonito poema.
              Gosto de anáforas. A repetição da palavra "parece" deu um colorido interessante ao texto.
              Abraço

              • Shmuel

                Obrigado por ler e comentar!

                Abraços!

              • Vilma Oliveira

                Boa noite caro poeta! Este texto funciona como uma meta-poesia — uma poesia que fala sobre o próprio ato de ser poesia. Embora pareça uma colcha de retalhos de sentimentos, há uma unidade clara na busca pela identidade e na dificuldade de definir o que é real versus o que é escrito.
                Passeia no escuro / Padece de sonhos / Parece equívoco / Aquilo que somos. A ideia de que a existência é um equívoco ou algo que padece coloca o ser humano em um estado de fragilidade diante da vida. Como náufrago / Resgato garrafas / Teu corpo me arrasta / Por ondas densas. A metáfora do mar, do naufrágio e das ondas densas é puramente Simbolista. O uso de elementos sensoriais (o sal, a fluidez, os cristais) remete à estética que busca o invisível através das sensações físicas. Parece prosa / As coisas que conto / Traços retas e planos / E ponto final. Aqui há uma transição para algo mais geométrico e seco. Ao mesmo tempo, o questionamento. Se isto lembra poesia, me dê um sinal, remete ao jogo de fingimento. Lembram pingentes de cristais / Meus lábios secos / Sedentos sorvem. A sede, a fome (incansáveis famélicos) e a entrega física têm a intensidade de uma poesia em estado líquido, que não se contém na forma e transborda para o desejo. O texto termina com uma afirmação de liberdade: E a poesia vai!. Ele não quer ser analisado de forma rígida; ele se reconhece como algo que escorre por entre os dedos. É uma obra sobre a fluidez do tempo e a carência humana, transformando o isolamento (quem vive sozinho) em matéria-prima para a arte. Parabéns por seu poema! Meu abraço poético.



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