Ela queria ir, necessitava de ir, aonde?
Ainda, não o sabia.
Queria de si mesma se escapar...
E dos meus braços...
Estava linda!
Uma expectativa estampava
dos seus grandes olhos castanhos.
Aqueles lábios carnosos...
A maquiagem lhe trouxe ar
de princesa,
tão digna; e tão má me parecia,
sem meus rogos ouvir.
Impassível, de beleza austera
e determinada.
Nunca a tinha visto tão linda!
Quis ser generoso,
carreguei-lhe a mala
até o :chek in"...
Não vá, eu lhe dizia... Eu te amo!
Já repetir o mesmo rogo,
coragem me faltava.
Fui beber
Dose dupla.
O tempo passava.
Outra.
Ofereci-lhe um buquê de rosas.
Sorriu — e me julguei vitorioso.
Os minutos.
Que fazer?
Mais uma.
Não ousei provar-lhe os lábios.
Outra.
Pensei em arrebatá-la com promessas.
Um carro.
Uma casa silenciosa, de portas que se abrem sozinhas.
Um jardim — qualquer luxo que a convencesse
de um outro mundo.
Estava acostumada a promessas inúteis.
Ainda mais vindas
na base da Smirnoff
Impávida, decidida seguia em direção à ponte de embarque.
A esperança... Esperança...
Atendeu ao áudio:
"Eu te amo, não se vá, eu..."
Desligou. Era o embarque.
Fiquei.
Em fracasso.
Nunca mais.
Solidão.
Saudade.
Tangará da Serra, 09/07/2023
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Autor:
Maximiliano Skol (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 12 de julho de 2023 01:08
- Categoria: Conto
- Visualizações: 21
- Usuários favoritos deste poema: Maiza Chagas, Lia Graccho Dutra, Shmuel

Offline)
Comentários5
Que Lindo!
Boa noite Max
Eu é que agradeço por teres publicado um poema tão lindo. E sim, de fato este tipo de tema me comove, chamou muito a minha atenção, pelo encantamento que tive da narrativa quis favorita-lo.
Deus te abençoe grandemente!
Querida amiga Maiza Chagas, esse é o tipo de tema que a comove. Disso eu sei pelos poemas que você publica no MLP.
Gratidão pela exclamação no comentário e por ter o texto como favorito.
Beijos.
Querido poeta Maximiliano:
Nos presenteando
com mais um
lindíssimo soneto
de amor.
Para quem ama
não é nada
fácil enfrentar
uma despedida.
Ver aquele amor
partindo dói
na alma,
no coração
e no corpo.
Bom seria que
não existissem
términos.
Mas existem,
ficam as lembranças
e a saudade.
Forte abraço,
Lia
Minha querida Lia, houve uma época, de jovem, em que ao ver um grupo de gente familiar numa despedida me vinham discretas lágrimas.
Tão bombardeada fora a minha pré-adolescência com frequentes adeuses, eu suponho. Já uma separação carregada de teor amoroso me deixa em luto... Dois amantes em despedida de separação ocorre uma morte, um vazio na alma de um deles. \" Bom seria que não existissem términos.\"
Gratidão por favoritar o texto.
Beijos.
Tênue e apaixonante texto poético! Parabéns meu querido poeta!
Um excelente dia!
Olá, prezado amigo, Shmuel, é com alegria que vejo a sua presença pelo seu precioso comentário. Gratidão por favoritar o texto. Assim terei um excelente dia como você me desejou.
Um forte abraço, amigão.
Que lindo!
Depois de muitos meses, foi minha primeira leitura.
Recomecei muito bem.
Estava com saudade.
um grande abraço
Queridíssima amiga Claudia, quanta saudade tive de ti, e falo, também, com certeza, em nome da comunidade no MLP.
Demoraste tanto!. Quase um ano... Eu me indagava pelos teus possíveis motivos.Como me era agradável ler o teu nome autenticando os ternos, reflexivos poemas. E aquele adorável sorisso, no perfil, que ninguém tem.
Gratidão pela feliz surpresa com a tua presença.
Que estejas em paz e a contento.
Beijos.
Querido poeta Maximiliano:
Realmente, o término
de um amor pode
causar luto, sim!
É a perda de uma
pessoa que está
viva; porém,
não está mais
disponível
para nos amar.
Ocorre uma morte
simbólica, emocional.
E costuma doer
até a superação
desta perda.
Mas tudo passa.
A dor de amor
também passa.
Então, após
a cura das
feridas da alma,
voltaremos
a amar!
Saudações poéticas!
Excelente noite!
Carinhoso abraço,
Lia
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