Ela queria ir, necessitava de ir, aonde?
Ainda, não o sabia.
Queria de si mesma se escapar...
E dos meus braços...
Estava linda!
Uma expectativa estampava
dos seus grandes olhos castanhos.
Aqueles lábios carnosos...
A maquiagem lhe trouxe ar
de princesa,
tão digna; e tão má me parecia,
sem meus rogos ouvir.
Impassível, de beleza austera
e determinada.
Nunca a tinha visto tão linda!
Quis ser generoso,
carreguei-lhe a mala
até o :chek in\"...
Não vá, eu lhe dizia... Eu te amo!
Já repetir o mesmo rogo,
coragem me faltava.
Fui beber
Dose dupla.
O tempo passava.
Outra.
Ofereci-lhe um buquê de rosas.
Sorriu — e me julguei vitorioso.
Os minutos.
Que fazer?
Mais uma.
Não ousei provar-lhe os lábios.
Outra.
Pensei em arrebatá-la com promessas.
Um carro.
Uma casa silenciosa, de portas que se abrem sozinhas.
Um jardim — qualquer luxo que a convencesse
de um outro mundo.
Estava acostumada a promessas inúteis.
Ainda mais vindas
na base da Smirnoff
Impávida, decidida seguia em direção à ponte de embarque.
A esperança... Esperança...
Atendeu ao áudio:
\"Eu te amo, não se vá, eu...\"
Desligou. Era o embarque.
Fiquei.
Em fracasso.
Nunca mais.
Solidão.
Saudade.
Tangará da Serra, 09/07/2023