Marcos Valerio de Souza

DESAPEGO

                 DESAPEGO

 

Como um pombo embevecido que loquaz turturina

Vou arrulhando alegrias pelas cercanias que passo

Sem os grilhões dos vis desejos, o caminho perpasso

Me apegando só ao vento que a esmo me destina.

 

Nada levo comigo. Do fugaz acúmulo me desfaço

E fitando o horizonte que alentado se aproxima

Me dispo de tudo, e com a alma cristalina

Sigo ao encontro desse arauto da liberdade que abraço.

 

Deixo pra trás as fantasias vãs, as ilusões passageiras

Que no coração pujavam nas noites traiçoeiras

E em vez de felicidade, traziam revés e dor,

 

Pra caminhar desprendido, sem alvo certo

E ao final da travessia deste insólito deserto

Transformar minha vida num oceano de amor.

 

                         Marcos Valério de Souza

 

 

Comentários4

  • Helio Valim

    Parabéns Marcos. Soneto bem estruturado, com ótimas rimas e uma bela mensagem. Um abraço.

    • Marcos Valerio de Souza

      Obrigado, Helio, pela sua sensível percepção!
      Meu abraço. Bom dia!

    • Maria dorta

      Foste pela deusa Poesia agraciado! Aplausos!

      • Marcos Valerio de Souza

        Maria, fomos agraciados!!
        Aceito com alegria e humildade os seus aplausos incentivadores.

      • Edla Marinho

        "E ao final da travessia deste insólito deserto

        Transformar minha vida num oceano de amor."
        Destaco aqui estes versos, sem desdenhar os outros, claro.
        Gosto de visitar sua página, Marcos Valério, sempre uma agradável leitura.
        Boa semana, meu abraço

        • Marcos Valerio de Souza

          Um comentário feito por tão iluminada poetisa como és, Edla, sem dúvida lustra nossa alma e nos inspira a poetizar mais e mais...
          Gratidão por se dispor a lê-lo.

        • Hébron

          Que prazer a leitura da sua poesia!
          Riqueza poética em belíssimo texto.
          Abraço

          • Marcos Valerio de Souza

            Hébron, fiquei sobejamente feliz pela impressão que tiveras do texto poético!
            Se o poema agradou, posso ficar certo de que a sua construção não foi em vão.
            Grande abraço e muita paz!



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