Vlad Paganini

MADRUGADA



MADRUGADA

 

Madrugada me chama na tua sacada

Na tua lua ensolarada

Me leva pra tua calçada na tua pele salgada

Me leva no teu córrego

Na tua chuva de noite enluarada

 

No teu corpo moreno despenco

Escorre doce melaço do teu sêmen

Brota em néctar orquídea violeta

Poesia desliza no frescor do meu peito

Em todas as cores o meu e o teu deleito

 

Madrugada

Louvo o teu nome a chuva e a terra

Proclamo o amor e a dor

O ar que exala teu cheiro de terra e de flor

Sopra a brisa o aroma do teu corpo

Música que invade minha pele com ardor

 

Na madrugada louvo a nós

Nosso amor nossas dívidas

Pagamento de promessas

Arrebenta aqui a brisa desejo e loucura

Amor de outras vidas já vividas

Desague toda tua melancolia

Permita esse teu amor que em ti habita

 

Mora em ti água parada

O meu amor que te ameaça

Uma tristeza que não esgarça

Há em mim e em ti mundos e fundos

Desejos anseios e dúvidas

Teus remendos mais profundos

 

Mora em mim o mar

O teu amor que não arregaça

Há em ti mistérios e penúrias 

Uma saudade sem autoria

Se entregue e esgarce a tua agonia

 

Há em ti um rio que resiste

Há em ti o teu reverso o teu segredo

Despenque em mim o teu medo

Rasgue em ti e desague em mim todo o teu arvoredo

 

Vlad Paganini

Todos os direitosautoraisreservados

Fundação BibliotecaNacional

Comentários1

  • Ana Fonseca

    "Louvo o teu nome a chuva e a terra
    / Proclamo o amor e a dor" muito bonito! Gostei :)



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.