Carlos Hades

Chuva



Chuva

 

Sinto cheiro da terra nua!

Exalar a fragrância da doce chuva!

Rega, drena, gera vida, ou derrama fúria sem alento.

És justa? és casta? és nua?

 

Sabes que me causas um sentimento.

Saudoso de um olhar, saudoso de um acalento.

Se vais chuva... tenho no fundo da mente um pensamento...

Voltarás para me tragar como fez, nesse mesmo momento!?          

                                                                                      

Chuva fina e lenta, gotejar que ressoa!

As vezes és densa as vezes és garoa.

São lágrimas de nuvens? Que em fúria relampejam seu tormento.

Tormento de saber que hoje está aliviado, mas amanhã virá denovo o mesmo sentimento!

 

Que sejas breve, que sejas fria, que sejas calma, que sejas minha!

Lenta chuva que rega e transborda minha ilha.

Que partilha a vida e que limpa de enxurrada minha alma!

Linda chuva, que rega meu amor e que me acalma.

  • Autor: Hades (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de Outubro de 2020 09:49
  • Comentário do autor sobre o poema: Pra mim a chuva retrata duas lindas palavras da língua portuguesa: saudade e nostalgia!
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 26

Comentários3

  • Maria dorta

    Belo,poeta. Bem lembrado! Mas a chuva traz também fartura e vida!

    • Carlos Hades

      Essa ambiguidade da chuva é fascinante não acha?

      • Maria dorta

        Sim,acho. Ela é por isso,amada e as vezes detestada...mas é sempre símbolo de vida.,que do não é agora na dose e mata alguns afogados.

      • Lilian Fátima

        A poesia sempre com metáforas a expressar o viver. Felicitações e meu abraço

      • Shmuel

        Lindo! Imaginar a chuva como fragrância, é de uma elegância. Isto é coisa de poeta bom, só pode!

        Abraços, Carlos Hades



      Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.