Quando as Portas se Fecham, a Escrita Abre Janelas
Já que algumas portas se fecharam,
não fiquei diante delas
batendo com as mãos do desespero.
Procurei outra passagem
e encontrei a escrita.
Ela estava ali,
quietinha,
como uma janela esperando ser aberta.
Entrei.
E descobri que as palavras
não conhecem idade,
não carregam calendário
nem perguntam quantos anos temos.
A escrita não olha para o rosto,
olha para dentro.
Ela não pergunta
se você é menino ou velho,
doutor ou aprendiz,
se chegou cedo
ou se demorou para chegar.
Ela simplesmente sussurra:
— Comece.
E quando a primeira palavra nasce,
a mágica acende suas luzes.
Uma palavra chama outra,
uma frase encontra seu caminho,
e o pensamento, antes adormecido,
abre os olhos.
De repente,
a folha deixa de ser folha
e se transforma em estrada.
A caneta vira ponte,
a imaginação ganha asas
e aquilo que morava escondido no peito
encontra uma porta para sair.
Você pode ser um menino
inventando mundos no quintal
ou um velho carregando
séculos de histórias no olhar.
Pode ser doutor durante o dia
e poeta quando a noite chegar.
Pode escrever sobre o que viveu,
sobre o que sonhou,
sobre o que perdeu,
sobre aquilo que ainda espera encontrar.
Porque a idade
não deve ser uma muralha.
Ela é apenas uma cicatriz do tempo,
um livro escrito pelo caminho,
um título de experiência.
O tempo pode enrugar as mãos,
mas não precisa envelhecer os sonhos.
Enquanto houver uma palavra
querendo nascer,
há uma história querendo viver.
E talvez seja esse
o segredo mais bonito da escrita:
não importa quando você começa.
Importa apenas
que tenha coragem
de abrir a primeira porta.
Depois dela,
há um mundo inteiro
esperando pela sua voz.
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Autor:
Carla Jeane Rolim de castro (
Offline) - Publicado: 6 de novembro de 2026 19:28
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
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