Carla Jeane Rolim de castro

Quando as postas se fecham a escrita ganha janelas

Quando as Portas se Fecham, a Escrita Abre Janelas

 

Já que algumas portas se fecharam,

não fiquei diante delas

batendo com as mãos do desespero.

 

Procurei outra passagem

e encontrei a escrita.

 

Ela estava ali,

quietinha,

como uma janela esperando ser aberta.

 

Entrei.

 

E descobri que as palavras

não conhecem idade,

não carregam calendário

nem perguntam quantos anos temos.

 

A escrita não olha para o rosto,

olha para dentro.

 

Ela não pergunta

se você é menino ou velho,

doutor ou aprendiz,

se chegou cedo

ou se demorou para chegar.

 

Ela simplesmente sussurra:

 

— Comece.

 

E quando a primeira palavra nasce,

a mágica acende suas luzes.

 

Uma palavra chama outra,

uma frase encontra seu caminho,

e o pensamento, antes adormecido,

abre os olhos.

 

De repente,

a folha deixa de ser folha

e se transforma em estrada.

 

A caneta vira ponte,

a imaginação ganha asas

e aquilo que morava escondido no peito

encontra uma porta para sair.

 

Você pode ser um menino

inventando mundos no quintal

ou um velho carregando

séculos de histórias no olhar.

 

Pode ser doutor durante o dia

e poeta quando a noite chegar.

 

Pode escrever sobre o que viveu,

sobre o que sonhou,

sobre o que perdeu,

sobre aquilo que ainda espera encontrar.

 

Porque a idade

não deve ser uma muralha.

 

Ela é apenas uma cicatriz do tempo,

um livro escrito pelo caminho,

um título de experiência.

 

O tempo pode enrugar as mãos,

mas não precisa envelhecer os sonhos.

 

Enquanto houver uma palavra

querendo nascer,

há uma história querendo viver.

 

E talvez seja esse

o segredo mais bonito da escrita:

 

não importa quando você começa.

 

Importa apenas

que tenha coragem

de abrir a primeira porta.

 

Depois dela,

há um mundo inteiro

esperando pela sua voz.