A Prensa de Cabelo Amarelo

Rebecca

 

Mandioca esticada. Torcida
na palha crua do tipiti.
 
Espremo a raiz: amarga, metálica.
Escorre o que chamo de caldo de louco.
 
Cólicas de riso. Sede.
Enquanto o tolo se compraz,
eu salto do erro —
do acaso,
da carícia de sorte que julgaram ter.
 
Engoli o iodo.
Mastigo a própria diversão.
 
A prensa gira: mandioca na carne.
Quanto mais aperto,
mais a baba densa escorre
transbordando pelos cantos do meu riso.
 
Uma noite de farsa trágica,
entre abobrinhas de carne
e engrenagens cegas.
 
Meu corpo?
Uma crosta de sangue seco
que o bobeira lambe...
e esquece.

Comentários +

Comentários1

  • Morlock

    Preciso tomar cuidado com quem se delicia em prensar uma mandioca rsrsrs.



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