Sob um mundo dinástico
eu enlouquecia
minha costumeira sensação do nada me perseguia
palavras nefastas bordadas
um painel em branco pela manhã
informa o vazio,
à tarde nuvens umedecidas
com o suor e lágrimas
dissipavam-se na noite
para continuar o painel
em branco,
é o ciclo da manada
que caminha
a longa jornada.
Amanhece outra vez, e as pegadas pesadas
não deixam rastro na poeira do asfalto,
são apenas sombras de botas gastas
marchando sob o mesmo teto alto.
O horizonte é um muro de concreto e pressa,
onde o amanhã é só o ontem repetido;
ninguém pergunta onde a estrada começa,
nem recorda o que foi esquecido.
Engolimos o pó das próprias certezas,
com os olhos fixos no chão do progresso,
trocando a alma por pequenas miudezas,
comprando a senha para o próprio regresso.
E a manada segue, sem rumo ou alento,
esculpindo o tempo em moldes de argila,
carregando nas costas o peso do vento,
em mais um dia que se perde na fila.
Concedei-me a licença de abraçar o avesso
que não sou,
o meu defeito mais amado.
Concedei-me a licença de um sopro
do ar poluído que me resta.
Concedei-me a licença do erro,
de ser apenas comum e falho
nas escolhas exatas do mundo
e nas fraquezas reais de todos.
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Autor:
CORASSIS (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de novembro de 2026 22:16
- Comentário do autor sobre o poema: Imagem de Vilius Kukanauskas por Pixabay
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Um bardo, Ayalah Verônica Berg

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