Meu ódio
É tão indispensável,
Quanto meu amor.
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Amo e odeio.
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Não, não há
Neutralidade aqui,
Não há indiferença,
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É nada ou tudo.
Se você vem, fica.
Se vai, jamais retorne.
-
Acolhimento pleno
Ou desprezo absoluto.
Sem absolvição,
Sem perdão,
Nem arrependimento.
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O rancor é nosso por direito,
Bem como o martírio.
-
Somos ímpares,
A paz é para os incapazes
E seus pares.
-
Nós somos atrito, conflito,
Confronto, insurreição.
Somos confeitos nucleares.
-
[Michel F.M.]
Ele carregava consigo um brilho amarelo,
um cheiro forte que avisa antes de chegar.
Caminhava entre rochas e minas escuras,
onde a terra respirava fumaça e calor.
Tudo que tocava mudava de forma,
o ferro cedia, a pedra se desfazia.
Mas ele sabia: não era para destruir,
era para revelar o que estava escondido.
O fogo que queima também purifica,
o ácido que consome também transforma.
E no fim de cada estrada, ele entendia:
o que sobra não é o mesmo que partiu
Porque às vezes é preciso se desfazer um pouco
para se tornar algo mais forte e verdadeiro.
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 5 de novembro de 2026 14:42
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- Comentário do autor sobre o poema: O poema "As Corrosivas Aventuras do Homem-Sulfúrico" é uma obra intensa sobre o radicalismo emocional, a rejeição à neutralidade e a exaltação do conflito como força vital. O título já antecipa a atmosfera da leitura: o "ácido sulfúrico" é altamente corrosivo, destrutivo e transforma tudo o que toca, servindo como a metáfora perfeita para a personalidade lírica apresentada. Abaixo, divido a análise dos principais eixos temáticos do poema: 1. O Dualismo Radical e a Rejeição do Meio-Termo - O eu lírico opera em um sistema binário e absolutista. Não existe espaço para a mornidão, para o cinza ou para a diplomacia. • "Amo e odeio" / "É nada ou tudo": As emoções extremas são colocadas no mesmo patamar de importância. O ódio é visto como algo "indispensável", tanto quanto o amor. • "Se você vem, fica. Se vai, jamais retorne": Há uma dinâmica de fronteiras rígidas nas relações interpessoais. O poema exige entrega total ("Acolhimento pleno") ou decreta o descarte imediato ("desprezo absoluto"). 2. A Recusa do Perdão e a Linha do Tempo Imutável - A maturidade emocional ou a resolução pacífica de conflitos são rejeitadas. O eu lírico se apega ao peso de suas escolhas e sentimentos. • "Sem absolvição, / Sem perdão, / Nem arrependimento": O erro e a ruptura são definitivos. Não há espaço para a cura ou para a reconsideração. • "O rancor é nosso por direito": O rancor deixa de ser um sentimento tóxico a ser evitado e passa a ser uma propriedade legítima, uma medalha de honra ou uma ferramenta de identidade. 3. Elitismo Emocional e a Paz como Fraqueza - O poema constrói uma barreira entre o "Nós" (os intensos, os sulfúricos) e os "Outros" (as pessoas comuns). • "A paz é para os incapazes / E seus pares": Há um claro tom de superioridade e desprezo pela tranquilidade. Para o eu lírico, buscar a paz ou a conciliação é um sinal de debilidade, mediocridade ou incapacidade de viver a vida em sua plenitude. • "Somos ímpares": Reforça a ideia de isolamento, de serem únicos, incompreendidos e superiores à massa "par" e pacífica. 4. Estética da Destruição e Conflito Vital - A conclusão do poema abandona a esfera íntima/relacional e ganha contornos de revolução e energia pura. • "Atrito, conflito, / Confronto, insurreição": O movimento e a vida só existem onde há choque. O Homem-Sulfúrico precisa do atrito para se sentir vivo; a estagnação é a sua morte. • "Confeitos nucleares": Uma excelente metáfora final. O termo "confeitos" sugere algo pequeno, talvez atraente ou doce, mas que carrega em si a potência destrutiva e avassaladora de uma explosão "nuclear". É o resumo da perigosidade envelopada em forma humana. Considerações Estilísticas - O poema utiliza versos curtos, diretos e livres, o que dita um ritmo rápido, quase agressivo, simulando a própria velocidade de uma reação química ou de um ataque verbal. A linguagem é assertiva, com poucas concessões a metáforas excessivamente abstratas, preferindo palavras de forte impacto dramático (ódio, desprezo, martírio, insurreição, nucleares). Em suma, é um manifesto da intransigência, da paixão destrutiva e do orgulho da própria volatilidade.
- Categoria: Reflexão
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- Em coleções: Zumbido Coletivo.
