Poupa

Noétrico

A lâmina cega rompe a casca,
óleos saltam no ar.
A polpa cede à pressão:
ácida na língua,
cítrica ao olhar.

A saliva contrai.
Os dentes encontram o azedo
contido junto à semente —
objetivo.

Engulo,
mas na boca permanece
o estado de quase,
de quem aprecia
a própria carne.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de novembro de 2026 12:00
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 6
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


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