Aos olhos do júri da norma,
não há carne, nem alma, nem nome,
veem criatura na moça que se transforma
e uma aberração no novo homem.
Vem a turba com régua e balança,
fiscalizar a certidão do passado:
"Por que tanta desobediência e mudança?"
"Quem era o sujeito que foi registrado?"
O rapaz, com sua barba e casaco,
enfrenta o escárnio e o olhar que o rejeita,
o mundo insiste em tratá-lo por fraco,
reverso da norma que o povo aceita.
A madame, em seu salto e batom,
esbanja a beleza que a mente tacanha
reduz ao pomo de Adão e à frequência do tom,
com uma maldade que o senso acompanha.
"Que criatura é essa que passa,
recusando o bilhete de outrora?
Não é homem, nem mulher de raça,
é um bicho inventado agora!"
Gritam preconceitos na beira
com a bíblia e a lei na calçada,
não aceitam a ideia verdadeira,
tratam vidas como piada.
Fazem deles um circo, um folclore,
um terceiro elemento sem eira,
esperando que o tempo descore
a identidade que é viva e guerreira.
Mas a sátira cai no roteiro
de quem gasta a vida a apontar,
o fiscal de banheiro primeiro
é o único que não sabe amar.
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Autor:
Karolla (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de novembro de 2026 08:25
- Comentário do autor sobre o poema: Esse poema é sobre como a sociedade enxerga pessoas transsexuais. Mesmo que não ocorra alguma discriminação direta contra um homem ou mulher trans, a sociedade ainda age como se eles não fossem nem homens e nem mulheres, e sim uma terceira criatura.
- Categoria: SociopolÃtico
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: A4nyxz

Offline)
Comentários1
O poema tá' tão belo e carregado, que quando eu li a parte da bíblia, eu senti aquele pesinho na consciência. É justamente as pessoas que propaga ódio, lêem e adoram um homem que propagava amor!
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