A penumbra recorta o relevo exato da tua ausência de pressa,
onde o ar se torna denso e o toque antecipa o desregramento.
Há uma liturgia silenciosa na forma como os corpos se decifram,
entre o cálculo do instante e a vertigem do que se consome.
Seus lábios, tingidos de um mel fingido e lento,
sussurram promessas que prolongam a agonia do gozo.
Pois a arte suprema de incendiar o desejo
reside em tencionar os sentidos até que o outro se renda,
sabendo que a iminência da queda é o mais puro deleite.
E quando a caneta enfim desenha a geometria do íntimo,
o tempo suspende o curso e a respiração se faz arquitetura.
Tuas mãos alimentam a corda invisível que nos sustenta,
um fôlego profundo e febril que nos garante a âncora
por mais vinte e quatro horas de maré mútua.
Erguendo-me sobre a tua carne que pulsa e responde,
encontro no fundo dos teus olhos a mesma imolação.
Nenhum segundo a mais de trégua para o rito inevitável:
o pacto antigo gravado à revelia na pele e na boca,
onde toda a gravidade do mundo se desmancha em nós.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 3 de novembro de 2026 08:38
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Pacificador

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