O ventre da noite
engoliu a cidade.
O amargo da rua
debaixo da língua,
o frio cravado nos ossos.
Confundiu o abismo
com o infinito.
Fez-se irmão dos lobos,
beijou a boca de cinzas.
Fez da ilusão sua coroa.
Os sonhos apodreciam nas calçadas.
Havia um deus morrendo em seu peito,
pedindo água,
e ninguém ouviu.
No silêncio do corpo,
entre o sangue e a ferrugem,
o cheiro de asfalto molhado no roxo:
a cidade mastiga
a carne do menino.
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Autor:
Mário Francisco Pugens Bressan (
Offline) - Publicado: 2 de novembro de 2026 00:21
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1
- Em coleções: Risco no chão.

Offline)
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