O céu despenca em bocas de riso surdo.
Corro no labirinto de homens funcionais...
mas meus pés — não há chão, nem gravidade.
Espanta-me a pressa deste colapso:
a carne não queima, ela apenas esfarela.
Calma fria. Os dedos retêm só o pó de um delírio que secou antes da aurora.
Achei que o descompasso fosse fúria ou cansaço...
era apenas a ferrugem, trabalhando a tosse por dentro.
Uma erosão silenciosa, guardada em segredo.
No marasmo desta cama, meus amantes têm a rigidez de quem se afoga.
A realidade dissolve-se em gelatinas grotescas,
e a linda fonte do esquecimento verte mercúrio pelas quinas do teto.
Não há vencedores neste velório de paixões.
Seduzo a própria expectativa para não despertar sóbria.
Ofereço o pulso à lâmina, num brinde de veneno doce.
E fico aqui, atônita: o vampiro já devorou metade da minha garganta,
sem que eu sequer... percebesse.

Offline)
Comentários1
Esfomeado esse vampiro, com tanta carne nobre, o babaca vai logo na garganta.
Não quero mais ser vampiro, prefiro ser pichador amador.
Então.
Do dito pois isso que importa.
Eu diria que mais uma Bruxa no pedaço.
Mas mandou bem sua mensagem e tem o meu aval, de pichador.
Parabéns.
Prazer.
Sr. Apegaua
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