Rebecca

Alucinando a Alucinação da Alucinada

 

O céu despenca em bocas de riso surdo.
Corro no labirinto de homens funcionais...
mas meus pés — não há chão, nem gravidade.
Espanta-me a pressa deste colapso:
a carne não queima, ela apenas esfarela.
Calma fria. Os dedos retêm só o pó de um delírio que secou antes da aurora.
 
Achei que o descompasso fosse fúria ou cansaço...
era apenas a ferrugem, trabalhando a tosse por dentro.
Uma erosão silenciosa, guardada em segredo.
No marasmo desta cama, meus amantes têm a rigidez de quem se afoga.
A realidade dissolve-se em gelatinas grotescas,
e a linda fonte do esquecimento verte mercúrio pelas quinas do teto.
 
Não há vencedores neste velório de paixões.
Seduzo a própria expectativa para não despertar sóbria.
Ofereço o pulso à lâmina, num brinde de veneno doce.
E fico aqui, atônita: o vampiro já devorou metade da minha garganta,
sem que eu sequer... percebesse.